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domingo, 4 de novembro de 2012

ENXAQUECA E CEFALÉIA - DOR DE CABEÇA

O QUE É ENXAQUECA


Enxaqueca é a síndrome periódica, constituída por dores na cabeça, geralmente sentidas apenas de um lado, acompanhadas ou não de náusea e vômito. A enxaqueca pode ou não ser acompanhada por aura (pontos brilhantes; sintoma da enxaqueca que fica em média 20 minutos). Os pacientes acometidos por enxaqueca que apresentam aura são a minoria, no máximo 15%. A crise de enxaqueca tem tempo variável. Em algumas pessoas a crise de enxaqueca dura 3 horas em outras alguns dias. A dor da enxaqueca pode ser muito forte, chegando a impossibilitar o paciente de ter suas atividades rotineiras, obrigando-o a ficar isolado em local silencioso e com pouca luminosidade.
Vários pacientes relatam que antes da crise de enxaqueca sentem alteração no seu estado emocional, sentido depressão ou ansiedade, outros pacientes relatam vontade de comer doces em período anterior a crise de enxaqueca. Cada enxaqueca tem a sua característica. Mas a dor intensa é a principal característica da enxaqueca.
Os direitos autorais sobre a hp enxaqueca, cefaléia, dor de cabeça são reservados ao Dr. Gilberto Agostinho.

CAUSAS (ETIOLOGIA) DA ENXAQUECA


Não existe um consenso global quanto a causa exata da enxaqueca.
Sabe-se que a enxaqueca ocorre devido disfunção, episódica, na liberação de substancias químicas inibitórias da sensação de dor, como a beta-endorfina e a serotonina. Estas substâncias inibitórias existem para que não sintamos dores desnecessárias, como por exemplo o roçar da roupa no nosso corpo.
No indivíduo com enxaqueca há uma diminuição destas substâncias, então sentirá dor de cabeça intensa, mesmo com as funções normais (fisiológicas) do seu organismo. Por exemplo: a pulsação normal e natural nas artérias da cabeça, que é transmitida pelos nervos trigêmeos e occipitais para regiões cerebrais, será reconhecida como dor, durante as crises de enxaqueca, devido não ter ocorrido a devida inibição dessa sensação pelas substâncias inibitórias.
Porém o motivo exato destas alterações bioquímicas, causando a crise de enxaqueca, ainda não foi totalmente definido pela ciência.

ENXAQUECA E COLUNA


A porção superior da nossa coluna é muito delicada, tanto do ponto de vista da quantidade de nervos que se irradiam como de vasos que alimentam o cérebro (o sangue é o transporte do alimento).
Observe nas figuras ao lado, como os espaços entre vértebras são diminutos. A quantidade de nervos e vasos presentes nesta região é enorme. Qualquer alteração, compressão ou irritação em raizes nervosas, mesmo que de pequeno porte, acabam causando dor, que tanto pode ser apenas na região cervical (nuca) como ser dor na cabeça: cefaléia ou enxaqueca.
Mesmo uma leve espondilolistese (escorregamento latero-lateral) de alguma vértebra cervical pode resultar em cefaléira ou enxaqueca, por muitos anos. Enquanto esta alteração vertebral não for corrigida, o paciente continua com as crises de enxaqueca ou cefaléia.
Qualquer anomalia ou desalinhamento que venha a comprimir algum nervo, ou mesmo obstruir, mesmo ligeiramente, a passagem do sangue nesta região delicada (cervical), pode acarretar em cefaléia ou enxaqueca.
O Dr. Maitland (Vertebral Manipulation – Geoffrey Douglas Maitland) já realizava tratamento do que ele chamava “dor que simula enxaqueca” na década de 1960 com total sucesso. Antes dele, no final dos anos 1880, o Dr. Daniel David Palmer fundava a Quiropraxia, usando no tratamento de inúmeros distúrbios que, na época, nem se imaginava ter sua origem na coluna.

O FLUXO SANGUINEO ENCEFÁLICO E ENXAQUECA: HEMODINÂMICA ENCEFÁLICA


O fluxo sangüíneo cerebral permanece relativamente constante em todas as atividades da vida diária e no sono. Ele é determinado pela pressão de perfusão cerebral, que é a diferença entre a pressão arterial sistêmica e pressão venosa do seio sagital superior.

ENXAQUECA DEVIDO A RELAÇÃO SEXUAL


É a enxaqueca presente após (ou durante) o coito (relação sexual), pode afetar mulheres, porém é mais comum em homens.
Este tipo de enxaqueca ocorre devido a alterações hemodinâmicas (circulação do sangue) que acompanham as manobras de Valsalva que ocorrem nas relações sexuais e, principalmente, no orgasmo.
Manobra de Valsalva, geralmente, ocorre em exercícios isométricos com a glote fechada (não deixando o pulmão expelir o ar), acarretando aumento da pressão intra abdominal devido a contração do músculo diafragma e dos músculos abdominais. Isto resulta em diminuição do retorno do sangue venoso que volta para o coração (devido a contração do m. diafrágma). Além disso, aumentará a pressão suboccipital do seio cavernoso. Podendo afetar a circulação posterior para o cérebro.
Os direitos autorais sobre a hp enxaqueca, cefaléia, dor de cabeça são reservados ao Dr. Gilberto Agostinho.

SÍNDROMES CRANIOCERVICAL E ENXAQUECA


A Síndrome Cervical escrita por Ruth Jackson foi publicado em 1956 descrevendo vários sintomas associados com as lesões ou malformações congênitas craniocervical afetando o cérebro ( e, desta forma, causando cefaléias ou enxaqueca), afetando negativamente a hemodinâmica cerebral em duas formas:
1) Por congestão no plexo venoso vertebral, causando redução na pressão de perfusão cerebral;
2) Pela congestão venosa e hipertensão arterial no seio cavernoso suboccipital, causando compressão das artérias vertebrais e diminuindo assim o posterior suprimento sanguíneo para o cérebro. Em muitos casos, a causa da isquemia da medula espinhal é desconhecida, embora estudos recentes sugerem que alguma dificuldade na drenagem venosa pode resultar em isquemia da medula espinhal. Apesar desta circulação ter sistema redundante (a natureza nos forneceu este sistema de segurança), o sistema de drenagem venosa da medula espinhal, é um sistema suscetível a ligeira compressão, e até mesmo uma ligeira elevação da pressão.
Além disso, foi demonstrado que curvatura anormal da coluna pode causar estenose funcional, e aumentar a pressão no plexo venoso vertegral, desta forma, levando a enxaqueca ou cefaléia.
A síndrome Craniocervical, portanto, pode desempenhar um papel significativo na enxaqueca, dores de cabeça (cefaléia), assim como muitas outras doenças degenerativas do cérebro.


AVALIAÇÃO DA ENXAQUECA


Para sabermos a causa da enxaqueca se faz necessário:
Avaliação minuciosa da coluna vertebral para detectar se a enxaqueca ou cefaléia é originada em causa mecânica (enxaqueca de etiologia nas estruturas vertebrais) ou idiopática (que seria as disfunções bioquímicas).
Observação de membros e articulações do corpo. Como exemplo posso citar que algumas vezes é detectada diferença de comprimento das pernas, causando curvaturas patológicas na coluna, levando à alterações cervicais, que resultam em enxaqueca ou cefaléia.
Nesta avaliação inicial da enxaqueca será informado ao paciente qual dos dois tratamentos naturais necessita:

TRATAMENTOS DA ENXAQUECA E CEFALÉIA
Dependendo da causa da enxaqueca, conforme parágrafo acima, será utilizado trataento específico:

1) Para enxaqueca com causa na COLUNA ou HEMODINÂMICA: A causa deste tipo de enxaqueca / cefaláia é solucionada através de técnicas específicas de manobras na coluna como um todo. Nesta clínica usamos a junção das principais técnicas de ajustes vertebrais, que são : Quiropraxia + Osteopatia + RPG somadas à Acupuntura.
A soma destas técnicas consegue tirar a causa, tendo como resultado a cura da enxaqueca. Muitos pacientes, quando recebem esta explicação sobre enxaqueca, ficam perplexos, acham impossível uma alteração estrutural mínima na sua cervical, causar sua enxaqueca ou cefaléia. Somente após algumas sessões, sentindo os resultados iniciais, conseguem acreditar. O tratamento da enxaqueca ou da cefaléia pode demorar vários meses para terminar, porém já após algumas semanas o paciente nota diminuição progressiva das dores de cabeça da cefaléia ou de todos sintomas da enxaqueca.

2) Para enxaqueca de causa bioquímica e alimentar (como citado acima é de causa idiopática): como a causa desta enxaqueca não é estrutural, seu tratamento consiste em sessões de Acupuntura específica para enxaqueca / cefaléia e que pode ser com ou sem agulhas, o paciente escolhe este detalhe. A Acupuntura tem a função de fazer equilíbrio energético (a eletricidade do nosso corpo). Esta eletricidade é que controla todas as funções bioquímicas do nosso organismo. Como citado acima, a enxaqueca tem desequilíbrio bioquímico. A partir do momento que o organismo volta ao seu equilíbrio elétrico (que comanda a parte bioquímica) a enxaque deixa de existir.
Já conheci muitos pacientes que vieram me procurar já desiludidos com acupuntura, pois tentaram tratar a enxaqueca apenas com acupuntura em determinadas clínicas, porém sem resultados. TODOS estes pacientes tinham alterações na sua coluna, mesmo que mínimas.
A acupuntura é maravilhosa, porém quando a enxaqueca ou cefaléia tem causa estrutural, apenas acupuntura não adiante, precisa a soma dos dois tratamentos, como citado no item 1 acima. Quando a enxaqueca for de origem bioquímica (alimentar) a acupuntura sistêmica oferece resultados incrivelmente maravilhosos.
Ao invés do paciente deixar de ingerir os alimentos causadores de enxaqueca, simplesmente fazemos o corpo do paciente não reagir negativamente à ingestão destes alimentos.
O corpo da pessoa deve estar apto a se alimentar normalmente, da mesma forma que muitos outras pessoas se alimentam normalmente o paciente que sofria de enxaqueca passa também a poder comer o que preferir, sem se preocupar com dor de cabeça.
Nosso corpo não funciona apenas com o fator químico-biológico, mas também com eletricidade. Esta energia eletrônica controla todas as outras funções e a Acupuntura, controlando a energia, consegue comandar as funções do organismo.
Pela ótica da medicina tradicional Ocidental, explica-se que os estímulos da acupuntura na enxaqueca ou cefaléia resultam na produção de:
- substâncias que agem sobre neurotransmissores e neuromediadores, restabelecendo o bom funcionamento das funções que estavam alteradas,
- corticóides naturais (fabricados pela supra renal do próprio paciente) com grande ação anti-inflamatória,
- analgésicos internos (os efeitos da Acupuntura são iguais aos da serotonina, neuromediador produzido em nosso cérebro).

DICAS SOBRE ENXAQUECA E CEFALÉIA

A intenção destas dicas sobre enxaqueca tem a única intenção de ajudar a evitar situações que venha a desencadear a enxaqueca ou cefaléia. De forma alguma visa substituir o tratamento médico adequado.
A pimenta vermelha (Capsicum annum) para enxaqueca: é um eficaz redutor da dor da enxaqueca, contém capsaicina, um composto que se crê bloqueador da transmissão de dor no nervo. De acordo com um estudo publicado em 1992 a revista,Cephalalgia, a dor e gravidade das cefaléias ou enxaquecas foram reduzidas de forma significativa nos pacientes que receberam tratamentos tópicos de capsaicina por sete dias. Comprar ou fazer um bálsamo contendo Capsicum annum e massagear a região dolorida durante um ataque de enxaqueca. Sempre lembrando de consultar um médico qualificado se quiser experimentar este procedimento anti enxaqueca em casa, pois os efeitos secundários podem incluir queima na área de aplicação.
Hortelã (Mentha piperita) na enxaqueca: Menta pode ser usada tanto interna como externamente para ajudar na diminuição da crise de enxaqueca. Contém mentol, que é um redutor da dor, e também reduz a náusea. De acordo com um estudo publicado em 1994 na revista Cephalalgia, Uma combinação de óleo essencial de hortelã-pimenta e etanol ou mesmo azeite extra virgem, reduz significativamente a sensibilidade às enxaquecas e cefaléias em pacientes que aplicaram a solução tópica na testa. O ideal é executar este procedimento ao primeiro sinal de uma crise de enxaqueca, mas pode ser utilizado em qualquer momento do ataque. Outra forma de utilizar a hortelã-pimenta para enxaqueca é consumir chá de hortelã. Não é recomendado utilizar qualquer procedimento na crise de enxaqueca sem supervisão médica.
Gengibre (Zingiber officinale) para enxaqueca: Uso comum no alívio de dor e náuseas, principalmente da enxaqueca e cefaléia. Embora haja pouca investigação científica sobre gengibre como um remédio natural para enxaquecas, foram realizados estudos de laboratório sobre a sua capacidade para reduzir a dor, e como um anti-inflamatório. Um estudo publicado em 2005 Journal of Medicinal Food afirma que um extrato feito a partir de raiz de gengibre é muito útil como anti-inflamatório. Também é conhecida por ajudar no alivio da crise de enxaqueca ou cefaléia. Recomenda-se comer uma colher de chá de raiz de Gengibre por dia, nos alimentos. Lembrando que em crises de enxaqueca deve-se procurar ajuda do seu médico.
Os direitos autorais sobre a hp enxaqueca, cefaléia, dor de cabeça são reservados ao Dr. Gilberto Agostinho.

COMPROVAÇÕES CIENTÍFICAS NOS TRATAMENTOS DA ENXAQUECA E DA CEFALÉIA:

QUIROPRAXIA E OSTEOPATIA NA ENXAQUECA E CEFALÉIA

Alguns estudos, mostram resultados nos tratamentos com Quiropraxia. Um estudo da Northwestern College of Chiropractic, em Bloomington, Minnesota, comparou o tratamento com Quiropraxia com o uso de amitriptilina, um antidepressivo comumente usados para tratar enxaquecas. O estudo constatou que a Quiropraxia foi tão bem sucedida como a droga, porém sem os efeitos colaterais da mesma.

ESTATÍSTICA DE TRATAMENTO DE DORES DE CEFALÉIA E ENXAQUECA USANDO ACUPUNTURA

Em 123 casos de dor de cabeça severa observados, 105 obtiveram total recuperação ou efeito marcante, 11 obtiveram uma melhora e apenas 7 não conseguiram resultados significantes. Então o grau de efetividade foi de 94,3% (fonte:liaoning journal of traditional chinese medicine,11 1983). Existem vários outros estudos científicos comprovando a efetividade do tratamento com acupuntura nas dores de cabeça.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Resumo sobre esquizofrenia

A esquizofrenia é a psicose severa que acomete adultos jovens caracterizada pela desintegração da personalidade e perda do contato com a realidade.

Manifesta-se por episódios agudos de psicose que podem incluir alucinações, delírios e diversos sintomas crônicos resultantes de problemas emocionais, intelectuais e psicomotores.

As causas dessa doença complexa ainda são controversas mas ela é considerada, pelo menos parcialmente, hereditária.

Então, se ambos os pais são afetados, estima-se que o risco da criança ser esquizofrênica seja entre 40% e 68%.

Pesquisadores canadenses demonstraram em 2010 o papel das mutações genéticas que podem predispor certas pessoas à esquiizofrenia.

Os principais tratamentos para a esquizofrenia podem ser medicamentosos (neurolépticos ou antidrepressivos) e/ou psicoterapia.

A esquizofrenia é uma das principais síndromes psicóticas caracterizada por alucinações e delírios, pensamentos e discurso desorganizados , distanciamento afetivo e disfunções sociais que influenciam nas habilidades interpessoais e produtivas.

Os pacientes esquizofrênicos sofrem de uma alteração na relação eu-mundo, onde há habitualmente uma interpretação falsa de percepções ou experiências. Seu conteúdo pode incluir uma variedade de temas (persecutórios, referenciais, somáticos, religiosos, ou grandiosos).

Os delírios persecutórios são mais comuns. A pessoa acredita estar sendo seguida, enganada, espionada ou ridicularizada. As alucinações em qualquer modalidade sensorial também são bastante comuns, principalmente as alucinações auditivas, onde o paciente ouve vozes conhecidas ou desconhecidas dando-lhe comandos.

Outra característica marcante no paciente esquizofrênico é a desorganização do pensamento e do comportamento. Em alguns casos, os pacientes sentem que seus pensamentos são ouvidos pelos outros ou que são extraídos de sua mente como se fossem roubados. Em casos mais graves a desorganização do pensamento pode levar a repetição de palavras ou até mesmo ao mutismo.

Em relação à desorganização do comportamento, os pacientes podem ter dificuldade em demonstrar afetividade no contato interpessoal, isolando-se do convívio social. A sua vontade em realizar atividades tanto em casa como no trabalho também pode ser diminuída, assim como o cuidado consigo mesmo e higiene. Em alguns casos o paciente pode chegar a apresentar movimentos lentificados e dificuldade em realizar movimentos simples.

Quais são as causas da esquizofrenia?


Assim como muitas outras doenças mentais, não há estudos determinantes sobre a causa da esquizofrenia, mas acredita-se que seja a combinação de fatores genéticos e ambientais.

Os fatores ambientais que mais influenciam são aqueles que ocorrem precocemente no desenvolvimento cerebral, como gestação, parto e primeira infância. Os fatores podem ser físicos, como infecções, traumatismos ou psicológicos, como traumas, depressão materna ou perda parental precoce.

Algumas teorias, como a psicanálise, acreditam que a ausência ou deficiência de relações saudáveis no vínculo mãe-bebê, como ausência de gratificação verbal, contato físico e visual na fase oral do desenvolvimento psicológico seria um fator importante na aquisição da esquizofrenia

Fatores sociais também podem propiciar o aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Muitos pacientes apresentam os primeiros sintomas após passarem por períodos de estresse, depressão ou conflitos.

Esquizofrenia tem cura? 


Não. A esquizofrenia é uma doença mental crônica. Seu tratamento visa o controle dos sintomas e a reintegração do paciente na sociedade.

Qual é o tratamento?


O tratamento é realizado através de medicamentos antipsicóticos ou neurolepticos. A maioria dos pacientes precisa utilizar os medicamentos pelo resto da vida, na fase aguda para aliviar os sintomas e no período entre as crises para evitar recaídas. É necessário que o paciente faça um acompanhamento periódico com o médico para regular a dosagem dos medicamentos.

É muito importante que juntamente com o tratamento medicamentoso o paciente faça o acompanhamento psicoterapêutico. Pois muitos sintomas podem persistir após a crise dificultando a sua atuação no meio social e familiar, é ai que o psicólogos como eu entram para contribuir ao tratamento.

O principal objetivo da psicoterapia é restabelecer o contato do paciente com a realidade, dar um sentido a experiência de vida, identificar fatores estressantes, desenvolver a capacidade em identificar e lidar melhor com sensações e sentimentos, autonomia , diminuição do isolamento, apoio e orientação aos familiares que sofrem com a condição do paciente.

Qual deve ser a postura dos familiares com os pacientes esquizofrênicos?


A família sofre influencias significativas a partir dos primeiros sintomas da esquizofrenia em algum membro. Sofrem com o comportamento frio, indiferente e hostil do paciente que é agravado com o preconceito e discriminação da sociedade.

A participação dos familiares no tratamento e reintegração deste paciente é essencial. É muito importante que os familiares busquem informações sobre a doença e principalmente sobre os sintomas para que não façam interpretações errôneas sobre o comportamento do paciente. Atitudes hostis, criticas ou de superproteção prejudicam o paciente. Apoio e compreensão ajudam o paciente a desenvolver uma vida independente e os auxiliam a conviver melhor com a doença.

Em alguns casos é aconselhado aos familiares recorrerem ao acompanhamento psicoterápico.

Todos os esquizofrênicos são violentos?


A maioria dos esquizofrênicos não apresenta comportamento violento ou perigoso, menos de 20% apresentam este tipo de comportamento.

Quando em crise, o paciente pode apresentar comportamentos agressivos, tanto fisicamente quanto verbalmente, pois se sentem ameaçados por seus delírios ou alucinações. É importante lembrar, que os pacientes sentem essa ameaça como sendo real, neste momento é necessário que a família converse de forma tranqüila, sem provocá-lo.

Em casos extremos de agressividade é necessário que o paciente seja contido ou levado para um serviço de saúde para garantir a integridade dos familiares e do próprio paciente.

É possível que um esquizofrênico tenha uma vida normal? Trabalhe, tenha filhos, mantenha uma família, realize atividades corriqueiras como dirigir?


Fora da crise, o esquizofrênico leva uma vida normal, como qualquer outra pessoa. Consegue desempenhar toda e qualquer atividade que uma pessoa sem esquizofrenia realiza como dirigir, trabalhar, cuidar dos filhos e etc. Porém, a grande maioria dos esquizofrênicos possui dificuldades em fazer contatos sociais e devem ser incentivados a participar de atividades em grupos, mas relacionamentos estressantes devem ser evitados.

Nos casos mais controlados de esquizofrenia, o paciente fica longos períodos sem manifestar os sintomas, o importante é não se descuidar neste momento, tanto o paciente como a família, pois aos primeiros sinais de recaída o paciente deve procurar um médico para avaliação.

É muito importante que o paciente cumpra os seus papeis tanto na família quanto na sociedade para que ele desenvolva sua autonomia e sinta-se pertencente à sociedade.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

CÓLICA RENAL

Sinônimos:

cólica uretral ou cólica nefrítica

O que é?

É uma dor aguda, intensa, oscilante (vai e vem) proveniente do aparelho urinário superior (rim). É uma das dores mais atrozes da medicina e geralmente causada por pedras (cálculos) no rim ou no ureter. A pedra causa obstrução da urina que vem do rim, dilatando-o. Essa dilatação renal é a fonte da dor. Existem outras causas de cólica renal, como coágulos, ligadura cirúrgica do ureter ou mesmo compressões extrínsecas do ureter por tumores.

É uma das urgências urológicas mais frequentes, atingindo homens e mulheres na proporção três para um respectivamente.

O que se sente?

A dor lombar é o sintoma principal, forte, em cólica com irradiação anterior para o abdômen e para baixo em direção ao testículo no homem ou para os grandes lábios na mulher. Se a obstrução for mais baixa em direção à bexiga pode haver dor abdominal e sintomas urinários (micções freqüentes, ardência para urinar).

Não há posição do corpo relacionada com a dor nem posição que a alivie. Geralmente o paciente está agitado. Náuseas e vômitos freqüentemente acompanham o quadro.

Como se faz o diagnóstico?

As queixas e sinais acima descritos junto com a percussão dolorosa do rim fazem suspeitar fortemente de cólica renal. A percussão renal é feita batendo-se com o punho fechado sobre as costas do paciente onde se localiza o rim.

Um exame físico completo é necessário a fim de se descartar outras patologias.

O exame qualitativo de urina (comum de urina) geralmente apresenta sangramento microscópico (hematúria microscópica), principalmente se houver pedra.

Exames de imagem são freqüentemente solicitados. Dentre eles, os mais comuns são as radiografias simples de abdômen , a urografia venosa (radiografia dos rins com a utilização de contrastes venosos) e a ecografia abdominal total. Em casos de mais difícil diagnóstico, a tomografia computadorizada (85% de sensibilidade), a ressonância nuclear magnética devem ser solicitadas.A ureteroscopia é um método cada vez mais frequente principalmente por permitir tratamento concomitante.

Geralmente o diagnóstico é obtido sem maiores dificuldades. Entretanto, algumas situações podem confundir o dignóstico principalmente quando há náuseas e vômitos: apendicite, constipação, colecistite, diverticulite, gastrites agudas, pancreatite, aneurisma e dissecção da aorta, tumores, etc.

Como se trata?

De imediato, a dor deve ser tratada com analgésicos, anti-espasmódicos e anti-inflamatórios dados por via oral, intramuscular ou endovenosa conforme a gravidade do caso. O paciente pode ser tratado em casa. Caso o seu quadro seja mais grave ou a dor não ceda com medicação rotineira, uma internação hospitalar está indicada para aplicação de medicações mais potentes como os analgésicos opióides. Náuseas e vômitos deverão ser tratados concomitantemente.

Após o controle da dor, deve-se combater a causa da obstrução, por exemplo, fazendo a retirada da pedra. A desobstrução pode ser feita temporariamente através de tubos especiais chamados de cateteres. Um desses freqüentemente usado é o cateter duplo-J com extremidades torcidas de maneira que, quando colocados dentro do aparelho urinário, não se desloquem. Em muitos casos de pedra, estas são eliminadas espontaneamente com alívio imediato da dor.

Uma vez resolvido o problema (cálculo eliminado ou removido), deve-se solicitar ao pacientes exames a fim de se diagnosticar a causa do cálculo (estudo metabólico). Dosagens na urina e sangue das seguintes substânciais: cálcio, fosforo, acido úrico, creatinina, citrato, magnésio, sódio, fosfatase alcalina.

Perguntas que você pode fazer ao seu médico

De onde vêm os cálculos?

Cálculos podem causar câncer?

A alimentação tem importância como causa dos cálculos renais?

PEDRAS NOS RINS

Sinônimos:

cálculo renal, pedra nos rins, litíase e nefrolitíase.

O que é?

O homem expele pela urina grandes quantidades de sais de cálcio, ácido úrico, fosfatos, oxalatos, cistina e, eventualmente, outras substâncias como penicilina e diuréticos. Em algumas condições a urina fica saturada desses cristais e como conseqüência formam-se cálculos. Não é um fenômeno raro até a idade de 70 anos. Aproximadamente 12% dos homens e 5% das mulheres podem ter, pelo menos, um cálculo durante suas vidas. A primeira década da vida não está imune ao surgimento de cálculos, havendo um pico de incidência entre quatro e sete anos de idade. A doença é mais comum no adulto jovem, em torno da 3 ª ou 4 ª década de vida, predominando na raça branca e não havendo diferença de sexo. A recorrência é mais comum no adulto jovem, 15% em um ano, 40% em até 5 anos e 50% em até 10 anos. A população negra tem menos litíase renal que a branca.

Como se desenvolve?

A formação de cálculos é um processo biológico complexo, ainda pouco conhecido, apesar dos consideráveis avanços já realizados. Hoje, constata-se que mudanças nos regimes alimentares, promovidas pela industrialização dos alimentos, mais ricos em proteínas, sal e hidratos de carbono, aumentaram a formação de cálculos.



Todo o indivíduo produtor de cálculos tem envolvimento com um ou mais fatores geradores de cálculo:

Epidemiológicos (herança, idade, sexo, cor, ambiente, tipo de dieta)
Anormalidades urinárias (saturada de sais, volume diminuído e alterações do pH)
Ausência de fatores inibidores da formação de cálculos (citrato, magnésio, pirofosfato, glicosaminoglicans, nefrocalcina, proteína de Tam Horsfall)
Alterações metabólicas (calcemia, calciúria, uricemia, uricosúria, oxalúria, cistinúria, citratúria, hipomagnesúria)
Alterações anatômicas e urodinâmicas
Infecções urinárias




As anormalidades da composição urinária têm, no volume urinário diminuído, o principal fator na formação de cálculos. Fruto de uma hidratação inadequada, esta pode ser a única alteração encontrada em alguns portadores de litíase. O volume urinário permanentemente inferior a 1 litro ocorre por maus hábitos alimentares ou por situações ambientais como clima muito seco, atividades profissionais em ambientes secos (aviões, altos fornos) que favorecem a supersaturação urinária de sais formadores de cálculos.



Principais tipos e componentes dos cálculos renais:



CÁLCIO:
Mais de oitenta por cento dos pacientes formam cálculos de cálcio. A maioria destes têm cálcio aumentado na urina (hipercalciúria) e/ou cálcio aumentado no sangue (hipercalcemia).




MAGNÉSIO:


É um elemento que participa na urina como inibidor da cristalização. Por isso, quando se encontra o magnésio urinário inferior a 50 mg/24h (magnesiúria), a formação de cálculo poderá ser facilitada.




OXALATO:


Mesmo com o oxalato urinário normal, alguns cálculos de cálcio têm oxalato na sua constituição.




CISTINA:
Como a cistina tem pouca solubilidade na urina, ela propicia a formação de cálculos por supersaturação.




ÁCIDO ÚRICO:


Os cálculos de ácido úrico puro ocorrem em cerca de 5% da população mundial, com exceção da zona mediterrânea e dos países árabes, onde as taxas podem atingir até 30%. Vinte e cinco por cento dos pacientes gotosos podem apresentar cálculos de ácido úrico.




CITRATO:


Uma excreção diária menor do que 450 mg é considerada hipocitratúria. As crianças, mulheres e idosos excretam mais citrato. Hipocitratúria isolada, como agente formador de cálculo, ocorre em cerca de 5% das nefrolitíases, podendo ser esta a única alteração metabólica encontrada nestes pacientes.







O que se sente e como se faz o diagnóstico?

A litíase pode ser assintomática, reconhecida somente em exames ocasionais. Na maioria das vezes, a litíase se apresenta com manifestação de dor (cólica) e hematúria. Muitas vezes, os cálculos podem obstruir a via urinária. A cólica renal é o sintoma agudo de dor severa, que pode requerer tratamento com analgésicos potentes. Geralmente, a cólica está associada a náuseas, vômitos, agitação. A cólica inicia quase sempre na região lombar, irradiando-se para a fossa ilíaca, testículos e vagina. No sedimento urinário, pode-se observar hematúria que, com a dor em cólica, nos permite pensar na passagem de um cálculo. A investigação clínica, na fase aguda, inclui além do exame comum de urina, um RX simples de abdômen e uma ecografia abdominal.



Principais complicações dos cálculos

Infecção urinária
Obstrução urinária: perda do rim por destruição obstrutiva e/ou infecciosa
Insuficiência renal crônica
Hipertensão arterial
Complicações cirúrgicas nas retiradas dos cálculos
Complicações da litotripsia (hematúria, destruição de tecido renal, hipertensão)




Como se trata?

Tomar bastante líquidos é o principal item do tratamento, visando reduzir a concentração e supersaturação dos cristais urinários, e dessa forma, diminuir a formação de cálculos.

O ideal de tratamento é suprimir a recorrência e evitar que os cálculos existentes cresçam. Como os cálculos têm origem heterogênea e freqüentemente são manifestações de doenças multissistêmicas, é impossível haver um só esquema terapêutico. Por isso, o tratamento é diversificado e prolongado, requerendo o comprometimento permanente do paciente. Após seis meses de tratamento, deve-se repetir a seqüência de exames para avaliar a eficiência da ação terapêutica. A revisão é fundamental para ajustar as medidas usadas no controle da recorrência e estimular o paciente na continuidade do tratamento.

Os cálculos maiores de 0,8 cm não saem espontaneamente, por isso é necessária a intervenção do urologista para a retirada do cálculo por métodos cirúrgicos ou métodos extracorpóreos, endoscópicos ou litotripsia.

Perguntas que você pode fazer ao seu médico

Existe só um tipo de cálculo?

Vou repetir esse tipo de cólica?

Como posso evitar a formação de novos cálculos?

Se for o caso, quando devo retirar o cálculo?

Devo fazer alguma dieta?

Ingerir líquidos/ingerir citratos é importante?

Existe somente um tipo de tratamento?

Os cálculos pode crescer dentro de mim?

sábado, 6 de outubro de 2012

Dependência Química Tem Cura?

Dependência química não tem curaA opinião geral dos grandes especialistas na temática é que dependência química não tem cura. Ela é doença crônica gerada no cérebro na qual pessoas ficam viciadas .
A opinião geral dos grandes especialistas na temática é que dependência química não tem cura. Ela é doença crônica gerada no cérebro na qual pessoas ficam viciadas no simples contato com substâncias narcotizantes lícitas e ilícitas. Um caráter particular desta doença está na progressividade, usuários precisam cada vez de dozes maiores para satisfazer desejos de corpo e mente. Apesar de não existir cura, há diversas formas de tratamento que amenizam as abstinências geradas no caminho do tratamento. 

A fatalidade também simboliza outra essência dos dependentes. Em curto, médio ou longo prazo o caminho dos dependentes sem tratamento acaba sendo a morte prévia que gera sofrimento de todos os entes queridos. Quem não tem dinheiro na mão e sofre deste mal certamente deve percorrer o caminho do furto. Alguns ficam devendo para traficantes, resultando em óbito ainda mais cruel.

Mudança de personalidade também está na lista dos efeitos psicológicos. Pessoas mudam consideravelmente até mesmo a face, ficando com aparência mais sombria e pele desgastada pelas ações das drogas. A relação com familiares se desintegra, tirando os casos onde toda família sofre da mesma alienação de narcóticos.

Durante o tratamento nenhuma quantidade de droga pode ser consumida pelos pacientes. Entretanto, grande parte dos dependentes busca sem chances de êxito conquistar remédios que curam a dependência.

Um conflito entre duas realidades ressume pragmaticamente os sentimentos provindos dos internados: Vida e fantasia. As duas primeiras semanas representam etapas mais importante e difícil de toda a reabilitação. Principalmente porque o cérebro registra a presença da substância química como principal forma de escape das dificuldades da realidade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Câncer


Câncer (português brasileiro) é uma doença caracterizada por uma população de células que cresce e se divide sem respeitar os limites normais, invade e destrói tecidos adjacentes, e pode se espalhar para lugares distantes no corpo, através de um processo chamado metástase. Estas propriedades malignas do câncer o diferenciam dos tumores benignos, que são auto-limitados em seu crescimento e não invadem tecidos adjacentes (embora alguns tumores benignos sejam capazes de se tornarem malignos). O câncer pode afetar pessoas de todas as idades, mas o risco para a maioria dos tipos de câncer aumenta com o acréscimo da idade. O câncer causa cerca de 13% de todas as mortes no mundo, sendo os cânceres de pulmãoestômagofígadocólon e mama os que mais matam.

Médicos do Egito antigo (3000 a.C.) registraram doenças que, dadas suas características, provavelmente podiam ser classificadas como câncer. Hipócrates (377 a.C.) também descreveu enfermidades que se assemelhavam aos cânceres de estômago, reto, mama, útero, pele e outros órgãos. Portanto, a presença do câncer na humanidade já é conhecida há milênios. No entanto, registros que designam a causa das mortes como câncer passaram a existir na Europa apenas a partir do século XVIII. Desde então, observou-se o aumento constante nas taxas de mortalidade por câncer, que parecem acentuar-se após o século XIX, com a chegada da industrialização.

Quase todos os cânceres são causados por anomalias no material genético de células transformadas. Estas anomalias podem ser resultado dos efeitos de carcinógenos, como o tabagismoradiaçãosubstâncias químicas ou agentes infecciosos. Outros tipos de anormalidades genéticas podem ser adquiridas através de erros na replicação do DNA, ou são herdadas, e conseqüentemente presente em todas as células ao nascimento. As interações complexas entre carcinógenos e o genoma hospedeiro podem explicar porque somente alguns desenvolvem câncer após a exposição a um carcinógeno conhecido. Novos aspectos da genética da patogênese do câncer, como a metilação do DNA e os microRNAs estão cada vez mais sendo reconhecidos como importantes para o processo.

As anomalias genéticas encontradas no câncer afetam tipicamente duas classes gerais de genes. Os genes promotores de câncer, oncogenes, estão geralmente ativados nas células cancerígenas, fornecendo a estas células novas propriedades, como o crescimento e divisão hiperativa, proteção contra morte celular programada, perda do respeito aos limites teciduais normais e a habilidade de se tornarem estáveis em diversos ambientes teciduais. Os genes supressores de tumor estão geralmente inativados nas células cancerígenas, resultando na perda das funções normais destas células, como uma replicação de DNA acurada, controle sobre o ciclo celular, orientação e aderência nos tecidos e interação com as células protetoras do sistema imune.

O câncer é geralmente classificado de acordo com o tecido de qual as células cancerígenas se originaram, assim como o tipo normal de célula com que mais se parecem. Um diagnóstico definitivo geralmente requer examinação histológica da biópsia do tecido por um patologista, embora as indicações iniciais da malignidade podem ser os sintomas ou anormalidades nas imagens radiográficas. A maioria pode ser tratada e alguns curados, dependendo do tipo específico, localização e estadiamento. Uma vez diagnosticado, o câncer geralmente é tratado com uma combinação de cirurgiaquimioterapia e radioterapia. Com o desenvolvimento das pesquisas, os tratamentos estão se tornando cada vez mais específicos para as diferentes variedades do câncer. Ultimamente tem havido um progresso significativo no desenvolvimento de medicamentos de terapia específica que agem especificamente em anomalias moleculares detectáveis em certos tumores, minimizando o dano às células normais. O prognóstico para os pacientes com câncer é muito influenciado pelo tipo de câncer, assim como o estadiamento, a extensão da doença. Além disso, a graduação histológica e a presença de marcadores moleculares específicos podem também ser úteis em estabelecer o prognóstico, assim como em determinar tratamentos personalizados.


Índice
1 Etimologia
2 Classificação
2.1 Nomenclatura
2.2 Tumores em Órgãos Específicos
2.3 Cancros da Vida Adulta
2.4 Cânceres da Infância
3 Sinais e sintomas
4 Diagnóstico
4.1 Investigação
4.2 Biópsia
5 Causas
5.1 Fatores desencadeantes
5.2 Cancro como doença genética
5.3 DNA e mutações
5.4 Causas das mutações
5.5 Genes tipicamente mutados no Cancro
6 Progressão
6.1 Anatomia patológica
6.2 Neoplasia e cancro
6.3 Progressão entre os órgãos
6.3.1 Estômago
6.3.2 Pele
6.3.3 Colo do útero
6.3.4 Próstata
6.3.5 Pulmão
6.3.6 Cólon e Reto
6.3.7 Mama
7 Tratamento
7.1 Cirurgia
7.2 Quimioterapia
7.3 Radioterapia
7.4 Terapia hormonal
7.5 Novas técnicas
7.6 Terapias alternativas
8 Prognóstico
9 Prevenção
9.1 Exames genéticos
9.2 Cura
9.3 Vacinação
10 Epidemiologia
11 Ver também
12 Notas
13 Ligações externas

Etimologia


A palavra "Câncer" é oriunda do latim cancer, "caranguejo". É uma referência à proliferação de células cancerosas no organismo (metástase), que se espalham pelo corpo como as patas e pinças do caranguejo se irradiam do seu cefalotórax. "Cancro" é oriundo do latim cancru.

Classificação
 Nomenclatura

Tumor designa-se por um tecido anormal (de células alteradas, mutações) onde NÃO ocorrem metástases, isto é, as células cancerígenas não se transportam para outras partes do corpo.
Cancro é um conjunto de células anormais que se formam num determinado sítio (por exemplo: mama) e onde criam metástases para várias partes do corpo. O cancro apresenta quatro estágios. É uma doença a nível celular em que a célula sofre mutações ao nível do ácido desoxirribonucleico, com tendência a metástase, através do sangue. Pode ser um lipossarcoma (morfologia semelhante aos adipócitos); fibrossarcoma (semelhante a fibrocitos); rabdomiossarcoma (músculo esquelético) ou leiomiossarcoma (músculo liso).
Tumores de células epiteliais são carcinomas: adenocarcinomas se têm morfologia glandular, carcinomas epidermóides (ou de células escamosas) se são constituídos de células semelhantes às da pele, com queratina; carcinoma hepatocelular, carcinoma de células renais.
Linfomas e leucemias são tumores das células da linfa(a nível de glóbulos brancos ou leucócitos) e sangue (a nível de glóbulos vermelhos ou hemácias), as quais têm origem na medula óssea. Se a maioria das células neoplásicas se concentra em orgãos linfoides são linfomas, se estão na medula óssea são leucemias.
De células germinativas, como teratoma seminoma e outros (ver tumores do ovário e tumores do testículo).
De células neuroendócrinas: os tumores carcinóides.
De células dos endotélios: hemangiossarcomas (vasos sanguíneos), linfangiossarcomas (vasos linfáticos), colangiossarcomas (vasos biliares)

Tumores em Órgãos Específicos

Melanoma maligno - neoplasia invasiva dos melanócitos da pele.
Tumor da tiroide - neoplasias das células da glândula Tiróide/Tireóide.
Tumor 
 Cancros da Vida Adulta

Nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos, o câncer é responsável por cerca de 25 por cento de todas as mortes. Anualmente, 0,5 por cento da população é diagnosticada com câncer. As estatísticas abaixo são para adultos nos Estados Unidos, e variam consideravelmente em outros países:

                        Homens                                                                      Mulheres
        mais comum causa de morte                                         mais comum causa de morte
câncer de próstata (33%) câncer de próstata (10%) câncer de mama (32%) câncer de mama (15%)
câncer de pulmão (13%) câncer de pulmão (31%) câncer de pulmão (12%) câncer de pulmão (27%)
câncer colorretal (10%) câncer colorretal (10%) câncer colorretal (11%) câncer colorretal (10%)
câncer de bexiga (7%) câncer pancreático (5%) câncer endometrial (6%) câncer ovariano (6%)
melanoma cutâneo (5%) leucemia (4%) linfoma não-Hodgkin (4%) câncer pancreático (6%)

 Cânceres da Infância


O câncer também ocorre em crianças jovens e adolescentes, mas é raro. Alguns estudos concluíram que cânceres pediátricos, especialmente leucemia, estão em uma tendência de aumento de incidência.

A idade do pico de incidência de câncer em crianças ocorre durante o primeiro ano de vida. Leucemia (geralmente leucemia linfoblástica aguda) é a forma maligna infantil mais comum (trinta por cento), seguida pelos do sistema nervoso central e neuroblastoma. Também são presentes o tumor de Wilmslinfomasrabdomiosarcoma (surgindo nos músculos), retinoblastomaosteossarcoma e sarcoma de EwingTeratoma é o tumor mais comum nesta faixa etária, mas as maioria dos teratomas são cirurgicamente removidos enquanto ainda são benignos.

Os meninos e meninas possuem essencialmente as mesmas taxas de incidência, mas crianças brancas possuem taxas de câncer substancialmente maiores do que crianças negras para a maioria dos tipos de câncer. A sobrevivência das crianças é muito boa para neuroblastoma, tumor de Wilms e retinoblastoma e para leucemia (oitenta por cento), mas não para a maioria dos outros tipos de câncer.

 Sinais e sintomas




Células cancerosas.

Basicamente, os sinais e sintomas do câncer podem ser divididos em três grupos:
Locais: caroços ou inchaços não-usuais (tumor), hemorragia (sangramento), dor e/ou ulceração. A compressão dos tecidos circundantes no fígado pode causar sintomas como icterícia.
De metástaselinfonodos aumentados, tosse e hemoptisehepatomegalia (fígado aumentado), dor óssea, fratura de ossos afetados e sintomas neurológicos. Embora o câncer avançado possa causar dor, ela geralmente não é o primeiro sintoma.
Sistêmicos: perda de peso (perda da massa muscular), falta de apetite]] e caquexia (cansaço), transpiração excessiva (suor noturno), anemia e, em cerca de 10% dos doentes, fenômenos paraneoplásicos específicos, ou seja, condições específicas que ocorrem devido a um câncer ativo, acomo trombose ou mudanças hormonais.

Cada sintoma na lista acima pode ser causado por diversas condições. O câncer tanto pode ser uma causa comum ou rara para cada item.

Poderá haver ocasionalmente crescimento de massa interna com obstrução de canal natural, como por exemplo os tumores no pescoço que podem causar falta de ar ou dificuldade de deglutição

 Diagnóstico


A maioria dos cânceres são inicialmente reconhecidos por causa de seus sintomas e sinais ou através de exames. Nenhum dos dois leva a um diagnóstico definitivo, que geralmente requer a opinião de um patologista

 Investigação



Raio-X de tórax mostrando câncer de pulmão no pulmão esquerdo.

Pessoas com suspeita de câncer são investigadas com exames médicos. Estes geralmente incluem exames de sangue, radiografiatomografia computadorizadaendoscopia entre outros.

 Biópsia


Um câncer pode ser suspeitado devido diversas razões, mas o diagnóstico definitivo da maioria dos casos malignos deve ser confirmado através de exame histológico das células cancerosas por um patologista. O tecido pode ser obtido através de uma biópsia ou cirurgia. Muitas biópsias (como aquelas da pele, mama ou fígado) podem ser feitas em um consultório médico. Biópsias em outros órgãos são realizadas sob anestesia e requerem cirurgia em uma sala de operação.

diagnóstico do tecido indica o tipo de célula que está proliferando, sua graduação histológica e outras características do tumor. Toda esta informação reunida é útil para avaliar o prognóstico do paciente e escolher o melhor tratamento. A citogenética e a imunohistoquímica podem fornecer informações sobre o comportamento futuro do câncer (prognóstico) e melhor tratamento.

Causas


 Fatores desencadeantes

Factores que aumentam o risco de cancro são vários e incluem a exposição excessiva à radiação solar (cancros da pele), alguns vírus (cancro do péniscolo do útero, alguns linfomas). No entanto as causas preveníveis mais importantes do cancro são o tabagismo (cancros do pulmãocancro da bexigacancro de laringecancros da cavidade oral) e o alcoolismo (cancro do estômago e do pâncreas).

A alimentação com excesso de gordura também parece ser um factor de risco importante para muitos cancros.

Existem provas científicas de que o leite, durante muito tempo considerado um alimento «completo» para todas as faixas etárias da população humana, incluindo adultos, é gerador de condições particularmente favoráveis ao desenvolvimento do cancro, já que fornece os nutrientes essenciais para o crescimento das células cancerosas (metionina - proveniente da caseína - e colesterol).[carece de fontes?]  Cancro como doença genética

O cancro é fundamentalmente uma doença genética. Em células normais, o crescimento celular é controlado por diversos factores, ou hormonas, libertadas por células adjacentes ou distantes. Deste modo um tecido consegue crescer ou atrofiar em resposta a demandas aumentadas ou diminuídas da sua função.

Há vários fatores que promovem o crescimento e multiplicação celulares, sistémicos como a hormona do crescimento, hormonas da tiróide (t3/t4), insulina, e factores locais como citocinas.

A progressão do cancro não é mais que a inactivação de determinados genes e a hiperexpressão de outros, dando origem a células largamente independentes da regulação local e central do organismo, que se dividem sem inibição. Outras mutações noutros genes poderão então dar às células neoplásicas novas capacidades invasivas, já que todas as células do organismo possuem o genoma completo e portanto a capacidade de produzir qualquer proteína, desde que os genes correspondentes sejam activados (neste caso por mutação). Assim, uma célula da cartilagem (condrócito) neoplásica pode sofrer mutação que lhe permite formar proteínas que provocam a formação de novos vasos sanguíneos, apesar de este gene nunca ser expressado na célula normal.

Várias síndromes de cancro familiares são causados pelo facto de que nessas famílias algum gene importante na progressão ou iniciação tumoral já estar mutado. Mais frequentemente estão mutados os genes de supressão tumoral (ver adiante) em que são necessários duas mutações em ambas as cópias (uma do pai, outra da mãe) para haver inactivação. Se o indivíduo herdar do pai uma cópia defeituosa, é muito mais fácil ocorrer apenas a mutação na cópia materna que nos dois alelos.

Um dos factos mais intrigantes em oncologia é a restrição de determinadas mutações a determinados tipos de cancro. Quase todos os cancros têm apenas uma, duas ou três vias de progressão com mutações de determinados genes, enquanto noutros orgãos a progressão se dá por mutações em genes diferentes. Este facto será talvez porque em determinados tecidos funcionam principalmente determinados oncogenes e genes supressores tumorais, e não outros, mas a causa exacta permanece obscura.  DNA e mutações

A atividade de cada célula ou tecido é dirigida pelo seu DNA. Ao longo da embriogénese, à medida que células cada vez mais diferenciadas se originam do zigoto, alguns genes tornam-se activos enquanto outros são silenciados, de acordo com a função final da célula. Mas cada célula mantém sempre uma cópia do genoma completo no seu núcleo. As cadeias de DNA são frágeis e facilmente são modificadas por químicos ou radiação. Existem contudo proteínas reparadoras de erros do DNA que reduzem a taxa de erros ou mutações a um mínimo. A maior quantidade de erros ocorre aquando da divisão celular, devido à necessidade de duplicar cada cromossoma, de modo a que cada célula filha tenha uma cópia. Continuam, contudo a ser feitos alguns erros, uma simples base movida já constitui uma mutação. Ao longo da vida, milhões de células do nosso corpo sofrem pequenas mutações, essas células normalmente se autodestroem ordenadas pela actividade de proteínas geradas a partir de genes antitumorais do DNA como por exemplo o p53.

Nenhuma célula se torna neoplásica apenas com uma mutação. Normalmente são necessárias várias para haver desregulação do ciclo celular e proliferação excessiva, e ainda mais outras para que haja invasão dos orgãos adjacentes ou distantes.

A mutação não-letal do DNA constitui a origem do cancro. Qualquer célula se for sujeita a lesões extensas no seu DNA morre, uma vez que genes fundamentais à sua sobrevivência serão lesados. As células estão mais vulneráveis às mutações aquando da divisão celular com duplicação do DNA. É esta a base da radioterapia: se as células tumorais se dividem muito mais rápido serão mais vulneráveis à radiação letal. Contudo a radiação ou outros insultos em pequenas quantidades menos provavelmente danificarão genes fundamentais, mas com igual probabilidade afectarão genes que estejam envolvidos na regulação da proliferação celular.

O DNA é um polímero com quatro tipos diferentes de bases: adeninatiminaguanina e citosina. A série de bases é traduzida em sequências proteicas de acordo com os tipos de bases (cada aminoácido corresponde a uma série de três bases). Diferentes sequências de aminoácidos com diferentes propriedades químicas leva a diferentes comportamentos das proteínas. A substituição ou eliminação de uma única base pode levar a proteínas diferentes, mais quantidade produzida de uma proteína ou silenciamento do gene.

Outros tipos de mutações são as quebras cromossómicas, que são reparadas por vezes com troca dos fragmentos quebrados em cromossomas diferentes do habitual, com efeitos a nivel da expressão génica.

Existem várias proteínas que corrigem os erros no DNA. Se os genes destas proteínas sofrerem mutações, elas podem ser inutilizadas, ocorrendo maior taxa de mutações subsequente- fenómeno denominado instabilidade genética. 

 Causas das mutações


A mutação do DNA pode ser devida a vários factores:
Radicais livres: radicais livres são moleculas de 02. O corpo humano utiliza apenas um átomo de oxigénio da molécula e o átomo restante (chamado de radical livre) leva a oxidação às células, mais especificamente no DNA. Isso leva a mutações e à oxidação da célula.
Radiação: a radiação UV provoca directamente danos do DNA, com formação de dímeros de bases. Estes são corrigidos sem problemas a maioria das vezes, mas podem ser reparados erroneamente com substituição por uma base diferente. A radiação de alta energia (raios gamabeta e alfa) também causam mutações. A origem mais significativa desta radiação não são as centrais ou acidentes nucleares, mas sim a radiação cósmica, partículas geradas em buracos negros ou supernovas que viajam milhares de anos-luz acabando por causar cancros nos seres-vivos da Terra.
Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos: os hidrocarbonetos como aqueles presentes em qualquer tipo de fumo (tabaco principalmente), causam mutações no DNA. São os mais potentes carcinogénios presentes em significativa concentração nos ambientes humanos.
Outros químicos: por exemplo arilaminas (corante industrial) no cancro da bexiga, aflatoxina (toxina de fungo presente em alguma comida bolorenta) no carcinoma hepatocelular.
Irritação crónica: a irritação crónica com morte e divisão celulares constantes leva a maior taxa de mutações devido à maior probabilidade de erros no DNA quando da sua replicação durante a divisão celular. Por exemplo a hepatite crónica por alcoolismo, a pancreatite crónica por alcoolismo ou a cistite crónica por infecção.
Vírus: alguns causam mutações no DNA ao inserirem o seu genoma no da célula de forma arbitrária, ou ao produzirem proteínas que estimulam a proliferação da célula a partir de oncogenes do genoma do próprio vírus. Alguns exemplos são o vírus Epstein-Barr, que causa a doença do beijo (alguns tipos de linfomas e carcinomas nasofaringeais), Papilomavirus, que causa a verruga e o condiloma acuminado (carcinomas do pénis e colo do útero), HTLV-1 (linfoma de células T), vírus da Hepatite B e C (carcinoma hepatocelular), vírus do sarcoma de Kaposi (um vírus da família do Herpes que causa cancro nos vasos de imunodeprimidos, em especial na SIDA/AIDS).
Bactérias: a infecção do estômago crónica com Helicobacter pylori predispõe ao desenvolvimento de cancro do estômago e a linfomas associados à mucosa (MALTomas).

De uma forma ou de outra, o tumor é basicamente iniciado quando há um dano no DNA(ou ADN) causado por quaisquer dos fatores acima, e que não é reparado por sistemas de reparação de DNA existentes em todas as células, gerando uma mutação. Dependendo do local em que a mutação ocorre na molécula de DNA, este defeito pode causar um desequilíbrio no ciclo celular, desencadeando uma reprodução acelerada e descontrolada de células.

 Genes tipicamente mutados no Cancro

Qualquer tumor é constituído pela progénie de uma única célula que acumulou mutações em genes suficientes para evadir os mecanismos antitumorais e para ganhar autonomia na replicação.

Existem basicamente quatro classes de genes importantes na patogenia do cancro:
Oncogenes: são genes que normalmente estão envolvidos na proliferação celular (quando são normais são proto-oncogenes). Se sofrerem mutações que aumentam a sua actividade transformam-se em oncogenes, e aumenta a proliferação celular. Assim por exemplo um receptor activado por uma hormona de crescimento é um protooncogene, mas se o gene desse receptor for mutado de modo a que o receptor passar a estar activado mesmo sem hormona ligada, é um oncogene e há proliferação independente da hormona. Normalmente basta uma destas mutações numa das duas cópias de cada gene em cada célula para ser eficaz -mecanismo dominante.
Alguns exemplos de oncogenes:
MYC: factor de transcrição nuclear pró-proliferativo. Mutação pode aumentar a expressão deste gene e a proliferação.
RET: receptor celular que pode sofrer mutação e tornar-se autônomo.
RAS (gene): proteína de transdução de sinal proliferativo que se pode tornar autônoma (produzindo continuamente sinal).
Genes de supressão tumoral: são genes que suprimem a proliferação caso detectem anormalidades celulares. São necessárias duas mutações que os inactivam, uma em cada cópia do gene, já que um gene é capaz de funcionar mesmo se o outro for inactivado -mecanismo recessivo.
Alguns exemplos:
Receptor do TGF-beta: receptor que inibe o crescimento celular em resposta à citocina TGF-beta.
RB: regula o ciclo celular.
NF1: inibição da trandução de sinal proliferativo pelas RAS.
APC: inibe a transdução do sinal proliferativo.
p53: inibe crescimento e multiplicação celular se detectar danos do DNA. Promove reparação dos danos e caso esta não seja possível, desencadeia a morte celular programada (apoptose).
p16: inibe multiplicação celular de modo relacionado com p53.
Genes que regulam a apoptose: genes que promovam a apoptose podem sofrer mutações (em ambos os alelos) inactivantes; enquanto genes que inibem a apoptose podem sofrer mutações que os tornam hiperactivos.
Alguns exemplos:
p53: também pertence a esta classe porque promove a apoptose caso os danos do DNA sejam incorrigíveis.
BCL2: protege a célula da apoptose. Pode sofrer mutação inactivante.
BAX: promove a apoptose.
Genes da reparação do ADN: se estes genes estiverem inactivados, a taxa de mutações passa a ser muito maior, e portanto a probabilidade de haver mutações em outros genes das classes discutidas acima é maior -instabilidade genetica.

 Progressão



Exemplo de progressão do câncer/cancro.

Há várias etapas na progressão de um cancro invasivo a partir de uma célula normal, cada etapa correspondendo a novas mutações num subgrupo das células que partilham a mutação anterior:
Proliferação independente: uma célula ganha mecanismos internos de estimulação ao crescimento em vez de responder a hormonas externas (mutação num oncogene, e.g. RAS). Esta célula multiplica-se.
Insensibilidade a factores inibitórios externos: uma célula das que tinham a mutação 1 sofre duas novas mutações (em ambas as cópias do gene) que a liberta de factores que inibem a proliferação, como produtos de genes supressores tumorais. Esta célula multiplica-se ainda mais rapidamente.
Evasão de apoptose: uma das células em 2 sofre mutações nos dois genes que levam grande número das suas células-irmãs não mutadas à apoptose (morte celular). Esta célula divide-se na mesma velocidade mas as suas células-filhas sobrevivem em muito maior número.
Defeitos na Reparação do DNA: inactivados os genes de reparação de DNA numa célula das de 3. Esta célula divide-se à mesma velocidade mas as suas células filhas acumulam novas mutações muito mais rápido.
Proliferação Ilimitada: uma das células de 4 ganha capacidade de estender os seus telómeros: a sua divisão é ainda mais rápida.
Angiogenese: uma célula de 5 ganha capacidade de secretar proteínas que chamam a criação de novos vasos sanguíneos -menos necrose das suas células filhas devido à isquémia (má irrigação sanguínea de um determinado órgão ou tecido devido a obstrução de vasos e artérias) e novas vias de disseminação.
Habilidade de invasão e metastização: ganho de função de genes que degradam a cápsula (colagenases entre outras enzimas), ganho de função de genes correspondentes a receptores membranares (silenciosos nas células normais progenitoras) que permitem a invasão dos vasos sanguíneos ou linfáticos. Perda da adesividade das células umas às outras (inactivação dos genes correspondentes às proteínas ligantes, como as integrinas).
Estabelecimento de células filhas em outros locais do corpo e crescimento de massas neoplásicas nessas localizações- metastização.

 Anatomia patológica


O aspecto microscópico das neoplasias malignas é variado. A maioria é pouco diferenciada, ao contrário da maioria dos tumores benignos, ou seja, as células neoplásicas mais malignas têm mais aspecto de células embrionárias sem diferenciação típica ou de diferenciação caótica do que do tecido ordenado de onde provêem (anaplásia). No entanto alguns tipos de cancro podem apresentar aspecto bem diferenciado, por vezes até funcional. Ultimamente a distinção entre neoplasia benigna e maligna só pode ser feita através da detecção de indícios de invasão de outros tecidos. Assim, um tumor que infiltre a sua cápsula (por vezes colorida com tinta da china para mais fácil identificação) será maligno, assim como um tumor não encapsulado que se mistura livremente com o tecido normal. Invasão dos microvasos sanguíneos e/ou linfáticos por células neoplásicas é considerado prova de invasão e carácter maligno do tumor.

Algumas características gerais que distinguem células neoplásicas provavelmente malignas de células normais ou benignas: pleomorfismo celular (várias formas de células no mesmo tecido); grandes núcleos relativamente ao citoplasma; núcleos com formas diversas; células gigantes com vários núcleos; nucléolos prominentes; mitoses em elevado número; áreas de necrose e/ou apoptose extensas.

Um tumor epitelial ainda que não invasivo, que apresente várias destas características é considerado maligno com elevada probabilidade de invasão subsequente se não for retirado -é um carcinoma in situ.

As indicações da anatomia patológica baseiam-se, mais que em diagnósticos exactos definitivos, em probabilidades de prognóstico de acordo com as características. Estas probabilidades foram determinadas em estudos exaustivos. É mais uma ciência empírica que conhecimento de causas profundas que correlacionem as características ao prognóstico. 

 Neoplasia e cancro



Basalioma.

Os tumores neoplásicos são qualquer massa de células que surge por divisão inapropriada de uma célula mãe original (multiplicação clonal), na qual a expressão dos genes que regulavam essa divisão estão alterados. Cancro é entendido como a grave situação patológica clínica que é gerada por uma neoplasia, a qual é classificada como maligna devido à situação clínica potencialmente fatal que origina.

O tumor maligno ou cancro distingue-se do tumor benigno principalmente porque o primeiro põe a vida do doente em risco mas o segundo geralmente não. A grande maioria dos tumores malignos é invasivo, e é a sua infiltração progressiva de estruturas adjacentes, ou distantes através de metástases que cria disfunções nos órgãos invadidos e reacções imunitárias às lesões que levam à insuficiência ou má função de órgãos vitais e à morte. No entanto, nem todos os cancros são invasivos. Alguns tumores são considerados malignos apesar de serem em tudo semelhantes aos benignos porque produzem graves danos pela produção de hormonas (e.g. feocromocitoma), enquanto outros comprimem órgãos devido às limitações ao seu crescimento como tumores do cérebro que não se podem expandir devido ao crânio e acabam comprimindo o cérebro, o que resulta em morte (devido a asfixia após disfunção do sistema respiratório na maioria dos casos).

As neoplasias benignas em geral não se transformam em malignas, apesar de existirem numerosas excepções, e portanto podem ser mantidas no corpo do paciente, mas geralmente recomenda-se a retirada por motivos estéticos.

No entanto em casos raros as neoplasias de comportamento benigno podem levar à morte, se o seu crescimento local, por azar, comprimir mecanicamente uma artériaveia ou nervo importante, por exemplo.

As células cancerosas podem ainda se soltar do tecido neoplásico original e, através da corrente sangüínea, linfática ou de outros líquidos (peritonealpleural) instalar-se em outros órgãos distantes da localização inicial, as metástases. A metastização constitui a fase do câncer cujo tratamento é mais difícil e quando é obtido menos sucesso na recuperação de pacientes. O paciente com câncer deve, sempre que possível, ser operado o mais rapidamente possível para a extração do tecido ou do órgão afetado, seguido de um tratamento de quimioterapia ou radioterapia

 Progressão entre os órgãos 
 Estômago

O câncer estomacal inicia com o desenvolvimento nas células do epitélio. No segundo estágio o câncer invade o estômago e vai para os gânglios. Afeta a parede gástrica e invadem áreas adjacentes. No último estágio as evidências são apresentadas.

 Pele

A batimetria do câncer é menor de um milímetro. Quando localizado na área cutânea é maior que dois centímetros. Encontra-se nos gânglios no terceiro estágio. No quarto estágio as evidências são facilmente encontradas. 
 Colo do útero

Invade o colo pélvico no primeiro estágio. No segundo estágio limita a parede pélvica. No terceiro estágio encontra-se na vagina ou continua na parede pélvica. No último estágio o câncer atinge os órgãos próximos.  Próstata

O órgão produz a enzima PSA. No segundo estágio o câncer apenas fica na próstata. No terceiro estágio fica na cápsula da próstata ou na vesícula seminal. O câncer continua em outros órgãos no quarto estágio.
[editarPulmão

No primeiro estágio ele é pequeno. No segundo estágio o tumor pulmonar é de três centímetros. No tórax, tem alterações nos linfonodos. No quarto estágio o problema de oncologia atinge o sistema hepático e neurológico
 Cólon e Reto

A parede do reto ou no cólon para as áreas vizinhas. Toma completamente o cólon ou o reto. Espalha-se para órgãos vizinhos. No quarto estágio atinge o fígado, pulmão, cérebro,etc.

 Mama

No primeiro estágio o tumor atinge no máximo dois centímetros, invade os nódulos axiliares, atinge os nódulos línfaticos e mamários. No quarto estágio atinge órgãos distantes como ossos, pele, etc.

 Tratamento


Advertência:
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.


A dificuldade do tratamento do cancro consiste em fazer a distinção entre as células malignas e as células normais do corpo. Ambas são provenientes da mesma origem e são muito semelhantes, daí não haver reconhecimento significativo por parte do sistema imunitário da ameaça.

 Cirurgia


Se a massa for bem delimitada e minimamente invasiva, a resecção cirúrgica é possível, mas já é impossível se o tumor estiver espalhado por todo o corpo, ou em orgãos vitais que não podem ser cortados. Muitas vezes é dificil para o cirurgião determinar a margem em que acaba a neoplasia e começa o tecido normal, correndo o risco de cortar demasiado tecido normal e reduzir a probabilidade de sobrevivência do doente à operação, ou não retirar a massa cancerosa na totalidade, diminuindo a probabilidade de sobrevivência ao cancro.

A cirurgia é então apenas usada no tratamento dos tumores que ainda estão delimitados, por resecção ou retirando o orgão completo (prostectomia no cancro da próstata, mastectomia no da mama). Contudo se o tumor invadir estruturas adjacentes que não podem ser resectadas (e.g. uma artéria importante) o tumor é irressectável.

 Quimioterapia 

Baseia-se no fato de as células tumorais se dividirem muito mais rápido que as células normais. O doente recebe medicamentos (injetáveis; por via oral; em cavidades como a bexiga, o espaço intratecal, o espaço pleural ou o abdômen) que interferem com a síntese do DNA e matam as células em divisão. Contudo, poderão acontecer efeitos secundários (colaterais) naquelas células normais de crescimento rápido, como a mucosa gastrointestinal (diarreianáuseasvómitos), folículos pilosos (queda do cabelo) e outros. Mais recentemente, existe uma nova classe de medicamentos chamada de anticorpos monoclonais, que, por terem um alvo molecular específico na célula cancerígena, têm como vantagem serem menos tóxicos para as células normais. Os anticorpos monoclonais podem ser utilizados sozinhos ou em conjunto com as quimioterapias. 

 Radioterapia

Também ataca células de crescimento rápido. As células tumorais, como têm défice de proteínas reparadoras do DNA, são mais vulneráveis a doses de radiação de alta energia (raios X e gama). As suas doses letais são mais baixas que as das células normais. No entanto além de efeitos secundários semelhantes aos da quimioterapia, há risco de desenvolvimento de novos tumores, apesar de relativamente pequeno. 


 Terapia hormonal 

O crescimento de alguns cânceres pode ser inibido ao se fornecer ou bloquear certos hormônios. Exemplos comuns de tumores sensíveis a hormônios incluem certos tipos de câncer de mama e próstata. Remover ou bloquear o estrógeno ou testosterona é frequentemente um tratamento adicional importante. Em certos cânceres, a administração de agonistas hormonais, como progestágenos podem ser benéficos terapeuticamente. 

 Novas técnicas


Ultimamente têm sido desenvolvidos alguns fármacos específicos que diminuem a actividade de algumas proteínas (traduzidas de oncogenes) cuja alta actividade é importante na proliferação de alguns tipos de cancro.

leucemia mieloide crónica é inclusivamente curável através da administração desse novo tipo de fármacos. No futuro estes fármacos deverão ser mais relevantes.

A utilização de toxinas acopladas a anticorpos específicos de proteínas membranares comuns na superfície das células do tumor mas não de células normais também tem tido algum sucesso.  Terapias alternativas

Terapias alternativas ou não-ocidentais são frequentemente escolhidas por muitos pacientes cujo prognóstico é sombrio e os custos elevados. No entanto, não há prova alguma de que essas terapias melhorem o prognóstico. Apesar de também não serem geralmente nocivas, elas podem ser efectuadas por quem acreditar paralelamente ao tratamento convencional de opiáceos.

Se for escolha do paciente informado, e apesar de provavelmente não terem nenhum efeito directo, as terapias alternativas poderão ter um efeito placebo, ou seja, o doente acredita que vai melhorar e está comprovado que pacientes mais optimistas e lutadores têm melhor curso da sua doença que os derrotistas. Substituir o tratamento convencional pelo alternativo seria no entanto altamente desaconselhável, já que a medicina moderna já consegue melhorar o prognóstico e até curar muitas formas de cancro, e é impossível dizer ao certo como reagirá um doente à terapia convencional.

Entretanto, devemos pensar sempre no paciente. Se a neoplasia maligna já foi tratada com cirurgia, quimioterapia e radioterapia e não mostrou melhoria, os médicos têm o dever de procurar novas estratégias. Muitos consideram a imunoterapia e a hipertermia como medidas complementares dignas de crédito. Existem muitos trabalhos científicos de bom nível que atestam a eficácia de tais estratégias. Por outro lado, muitas pessoas se curam de tumores usando a fitoterapia. Na verdade muitos medicamentos da medicina convencional foram sintetizados a partir de princípios ativos encontrados no reino vegetal e de uso empírico. Há, ainda, muitos outros que são tratados e curados com estratégias psicoterápicas e até com acupuntura. O paciente tem o direito de escolha e o médico o dever de oferecer alternativas sérias, já estudadas e seguras 

 Prognóstico


O câncer possui a reputação de ser uma doença mortífera. Enquanto isso é verdade para alguns tipos particulares de câncer, as verdades por trás das conotações históricas do câncer estão cada vez mais sendo superadas pelos avanços no cuidado médico. Alguns tipos de câncer possuem prognóstico que é substancialmente melhor que outras doenças não-malignas como a insuficiência cardíaca e AVC.

Uma doença maligna progressiva e disseminada possui um impacto substancial na qualidade de vida do paciente, e muitos tratamentos de câncer (como a quimioterapia) podem ter efeitos colaterais severos. Nos estágios avançados do câncer, muitos paciente precisam de cuidado extensivo, afetando membros da família e amigos.

Os pacientes com câncer, pela primeira vez na história da oncologia, estão visivelmente retornando para suas vidas normais. Pacientes estão vivendo mais tempo com a doença persistente, mas silenciada ou mesmo com a completa remissão. As histórias como a de Lance Armstrong, que ganhou o Tour de France após o tratamento de um câncer testicular metastático ou de Tony Snow, que estava trabalhando como secretário de imprensa da Casa Branca dos Estados Unidos apesar de seu câncer de cólon, continuam a ser uma inspiração para pacientes com câncer em todo mundo. 

 Prevenção

Exames genéticos


exame genético para pessoas de alto-risco já está disponível para algumas mutações genéticas relacionadas ao câncer. Portadores de mutações genéticas que aumentam o risco de incidência de câncer podem se submeter a uma inspeção mais detalhada, prevenção química ou cirurgias que diminuam o risco. A identificação precoce de um risco genético herdado para o câncer, associada com outras intervenções de prevenção ao câncer como a cirurgia ou inspeções mais detalhadas, pode salvar a vida destas pessoas em alto-risco.

Gene Tipos de câncer Disponibilidade
BRCA1BRCA2 Mama, ovário, pancreático Disponível comercialmente
MLH1MSH2MSH6, PMS1, PMS2 Cólon, uterino, intestino delgado, estômago, trato urinário Disponível comercialmente

[editar] Cura

Recentemente, cientistas da Harvard Medical School, de Boston, divulgaram uma maneira revolucionária na luta contra o câncer.

Segundo o estudo, dirigido por Pier Paolo Pandolfi, em vez de matar células cancerígenas com drogas tóxicas, os cientistas descobriram um caminho molecular que as força a envelhecer e morrer.

As células cancerígenas se espalham e crescem porque podem dividir-se indefinidamente.

A equipe usou para o estudo ratos geneticamente modificados que desenvolveram uma forma de câncer de próstata.

Em alguns deles, os cientistas tornaram inativo o gene Skp2. Quando o rato atingiu seis meses de vida, eles descobriram que os portadores de um gene Skp2 inativo não desenvolveram tumores, ao contrário dos outros ratos da pesquisa.

Quando eles analisaram os tecidos de nódulos linfáticos e da próstata, descobriram que muitas células tinham começado a envelhecer, e também encontraram uma lentidão na divisão de células. Eles obtiveram efeito semelhante quando usaram a droga MLN4924 no bloqueio do Skp2 em culturas de laboratório de células de câncer da próstata.

O estudo em ratos mostrou que o bloqueio de um gene causador do câncer chamado Skp2 forçou células cancerígenas a passar por um processo de envelhecimento conhecido como senescência --o mesmo processo envolvido na ação de livrar o corpo de células danificadas pela luz solar.

A descoberta pode significar uma nova estratégia para o combate ao câncer.
[editar] Vacinação

Atualmente existem vacinas para o HPV e o tumor cerebral.
[editar] Epidemiologia

Factores de risco incluem geografia (mais cancro da pele em países tropicais que em nórdicos), etnia, hábitos alimentares, idade avançada e genes hereditários que causam predisposição para o cancro.

Em países desenvolvidos o cancro compete com as doenças cardiovasculares (principalmente enfartes coronários e AVCs) enquanto causa de morte principal. Uma em cada quatro ou cinco pessoas morrerá de cancro nestes países.

(2000-2005) nos países do Europa e América do Norte.
Cancros mais frequentes no Homem: Carcinoma da Próstata (um terço dos casos), Pulmão (~15%), Cólon e Recto (~10%), Linfomas e leucemias não Hodgkins (~10%), Bexiga (5%), Melanoma maligno (4%), Boca e faringe, Pancreas, Rim (cada um 2-3%), outros (~20%).
Cancros mais mortais no Homem -percentagem das mortes por cancro: Pulmão (~30%), Colon e Recto (~10%), Próstata (10%), Leucemias e Linfomas não Hodgkins (~10%), Pancrêas (5%), Bexiga, Figado, Rim, Esófago (cada um 2-3%), outros (~20%).
Cancros mais frequentes na Mulher: Mama (um terço), Pulmão (~10%), Cólon e Recto (~10%), Útero, Tiroide, Pâncreas, (cada um 2-3%), outros (~20%)
Cancros mais mortais na Mulher: Pulmão (~25%), Mama (~15%), Cólon e Recto (~10%), Linfomas e leucemias não Hodgkins (~10%), Pancrêas (~5%), Ovário (~5%), Útero (~4%), outros (~25%).

Em Portugal os dados são semelhantes, à excepção do cancro do estômago que é muito mais comum devido a maior prevalência de Helicobacter pylori e alcoolismo. No Brasil e na África as incidências são bastante diferentes.

Os cancros do Pulmão e da Bexiga são na sua maioria causados pelo Tabaco. Uma em oito mulheres terá cancro da mama, no entanto a maioria dos casos é diagnosticada num estágio curável.