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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Estupro "Como superar o Trauma"

O silêncio pode piorar as consequências do trauma
Em entrevista, autor de livro recém-lançado sobre traumas afirma que eles podem despertar o indivíduo para novos comportamentos

O psicólogo Julio Peres, autor do livro "Trauma e Superação"Você já pensou em como uma experiência traumática pode mudar sua vida para melhor? O psicólogo Julio Peres já - e muito. Doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da USP, ele lançou recentemente o livro “Trauma e Superação: o que a Psicologia, a Neurociência e a Espiritualidade ensinam” (Edit. Roca), em que fala sobre como podemos aprender com diferentes traumas. De violência urbana a desastres naturais, Julio Peres falou ao iG Delas sobre as diversas situações estressantes, religiosidade e superação.



iG: Quais são os principais tipos de traumas que as pessoas podem passar e como eles podem proporcionar uma melhora na vida pessoal?
Julio Peres: Em primeiro lugar é preciso saber que a maioria das pessoas já sofreu um sofrerá uma situação potencialmente traumática. Estas situações podem oscilar entre eventos mais conhecidos, como violência doméstica, acidentes, enfermidades, estupros, e assim por diante, mas também podem ser cumulativas, como pequenas situações estressoras, que envolvem respostas a um sofrimento ocorrido ao longo do tempo. Existem alguns fatores que colaboram para a incidência destes microtraumas, como centros urbanos, por exemplo, em que a ansiedade e a pressão são estimuladas, assim como a rivalidade – em detrimento da solidariedade –, e o núcleo familiar fragmentado. Tudo isso configura uma situação de solidão, desamparo, o que pode acarretar em uma situação de sofrimento. Então, são vários os fatores cumulativos que podem ir deixando ruídos num indivíduo, tal como aquele que a pessoa atravessa depois de um episódio traumático mais reconhecido. Mas este tipo de situação pode ajudar as pessoas a revisitarem seus valores, perspectivas e significados que elas dão à própria vida; a despeito do sofrimento, os eventos traumáticos são chacoalhadas que a vida dá e que despertam o indivíduo para novas reflexões e comportamentos, que colaboram, depois de algum tempo, para uma qualidade superior de vida. Depois que o processo de superação é concluído, a maioria dos meus pacientes costuma dizer que, se pudessem ter mudado alguma coisa do passado, não o fariam, porque o trauma vivido os ensinou muito.

iG: E como se dá este processo de superação?
Julio Peres: A pessoa aprenderá a falar sobre suas dores, sobre o seu evento traumático, para assim revisitar seus talentos, seus recursos e capacidades de enfrentamento, trazer à tona as memórias de autoeficácia, se expondo a situações num plano imaginário. Por exemplo, se ela sofreu um acidente automobilístico e não consegue chegar mais perto de um carro, aos poucos ela irá se imaginar dirigindo, para depois chegar perto de um carro, sentar no banco do passageiro, depois do motorista, e assim por diante de maneira gradativa. Assim o indivíduo irá colecionando novas memórias que superam as memórias traumáticas. É como se ele estivesse atualizando a percepção para poder promover a resiliência.

iG: Desde quando começou a ser reconhecido que um trauma como um acidente, um assalto ou até um estupro, por exemplo, poderia colaborar para o posterior crescimento pessoal?
Julio Peres: A partir de estudos que analisavam o comportamento de indivíduos que sofreram as mesmas situações traumáticas, como o terremoto da Cidade do México, em 1985, e o tsunami asiático, em 2004, que foram situações em que muita gente sofreu perda dos entes queridos, da casa, do trabalho, e assim por diante. Mas foi percebido que nem todas as pessoas respondiam ao trauma da mesma maneira e, ao contrário, algumas melhoravam de vida depois de algum tempo, então os especialistas começaram a prestar mais atenção à capacidade do indivíduo de atravessar momentos difíceis e dolorosos e voltar à qualidade satisfatória de vida, também conhecida como resiliência.

iG: Como dá para reconhecer um trauma e a necessidade de ajuda?
Julio Peres: Uma pessoa pode reconhecer que precisa de ajuda quando há limitação na vida familiar, profissional ou então afetiva. Um paciente pode dizer: “Poxa, eu não me dou bem com ninguém, faço críticas ácidas aos outros, tenho dificuldade em me relacionar, projeto uma agressividade com todo mundo”. Estas características muitas vezes ocorrem por experiências que o indivíduo viveu, como uma situação em que se sentiu uma pessoa menor, apequenada. Estas respostas mais emocionais, de raiva ou agressividade, surgem como dinâmicas de proteção, de sobrevivência, mas sem que ele consiga perceber a razão. Ocorre uma limitação em relação ao entorno. Até mesmo pessoas com depressão podem descobrir que, na verdade, está depressiva porque sofreu um trauma na infância, por exemplo. Portanto, se um trauma não for tratado, ele ficará migrando sem revisitar o evento que gerou aquela situação recorrente de tristeza, de desamparo.

iG: Qual é o primeiro passo para o início do processo de superação?
Julio Peres: Se a pessoa chega à psicoterapia, ela já tem uma motivação muito importante, que é o objetivo de melhorar. Mas é necessário um processo especializado que facilite essa melhora, porque a psicoterapia focada ao trauma segue alguns pré-requisitos muito importantes que não podem ser deixados de lado. Se um indivíduo simplesmente buscar uma terapia sem esse foco, ele pode reconsolidar as memórias do trauma. Se você começa a falar sobre um trauma específico, por exemplo, e começa a entrar em contato com o caos, com a ausência de significado, com o temor, a fragilidade, a impotência, você pode apenas potencializar sua dor se não houver uma elaboração deste conteúdo, porque não é só o falar sobre o evento, é o como falar sobre o evento. E aqueles que sofreram eventos traumáticos precisam, primeiramente, contar a história e criar um significado para o que aconteceu, mas num primeiro momento ele ainda expressa emoções e sensações de uma maneira intensa e fragmentada, e a narrativa fica dispersa, desestruturada. Então o primeiro passo é estabelecer esta estrutura e fortalecer a aliança do evento com aprendizado. E quando um indivíduo conta e reconta, o sofrimento vai atenuando e proporcionando uma melhor qualidade de vida, porque aquele episódio nos trouxe mais conhecimento e maturidade.

iG: Existem pessoas que possuem uma dificuldade maior para falar sobre um evento traumático. Como lidar com isso?
Julio Peres: É um ponto muito importante. No começo do processo, é natural que o indíviduo não queira falar, porque é quase como voltar ao horror experimentado. No entanto, paradoxalmente, o efeito do silêncio é muito pior, ele precisa falar. “ODivulgação
Capa do livro "Trauma e Superação", de Julio Peressilêncio envenena a alma”, disse uma vez o Prêmio Nobel da Paz, Elie Wiesel. No início, as pessoas têm dificuldade, mas vários estudos mostram que quem se mantém em silêncio permanece com os mesmos sintomas por décadas, como pesadelos pós-traumáticos, por exemplo. Não falar pode amplificar a dimensão do sofrimento. Agora, se as pessoas chegam à psicoterapia logo depois do trauma, a superação ocorre mais rapidamente. Se as pessoas demoram muito para procurar ajuda, o transtorno de estresse pós-traumático corre um risco três vezes maior de configurar outras comorbidades como depressão, fobias, transtorno do pânico.



iG: Quais são os principais fatores que contribuem para o crescimento pessoal após um trauma?
Julio Peres: Entre os fatores mais importantes vale a pena ressaltar a percepção de que você é capaz de superar. O trauma deixa você numa condição de fragilidade, de incapacidade, e quando você o supera, ganha uma confiança íntima em relação a novos enfrentamentos. Depois disso, trazer um significado mais amplo para a vida se torna necessário, para que você passe a ter um olhar mais aprofundado e mais tranquilo em relação ao significado de sua existência - o desenvolvimento de novos interesses e objetivos de vida. Tenho um paciente que estava traumatizado pela mãe ter sido diagnosticada com leucemia, mas então ele se engajou em campanhas para conseguir um maior número de doadores para pacientes com a mesma doença e este foi um dos principais aspectos da recuperação dela. Além destes fatores, o resgate da espiritualidade no dia a dia também é algo importante. Indivíduos mais religiosos acabam se referindo à religião como um recurso importante para a superação. Ter uma divindade protetora num evento doloroso ou traumático deixa um paciente mais fortalecido.

iG: Como se dá o papel da espiritualidade na superação?
Julio Peres: Estudos mostram que pessoas com uma religiosidade intrínseca, que estão acostumadas a orar, mesmo que eventualmente, são capazes de superar adversidades graves mais facilmente em comparação às pessoas que não possuem nenhum tipo de religião. Isso acontece porque, diante do trauma, ela vivencia o caos, mas a religiosidade traz uma estrutura cognitiva e alguma maneira de atribuir significados que facilitam a recuperação. Então ela pensa: “O que será que Deus quis me ensinar com essa situação?”. Está é uma fala muito frequente. Em comparação àquela pessoa que se sente perdida, que não encontra nenhum significado para um evento doloroso, há uma dimensão de sofrimento muito maior do que aquela que processa o evento buscando algum sentido. E a religiosidade, em geral, colabora para isso: ela pode fornecer ordem e compreensão sobre eventos dolorosos e imprevisíveis. A espiritualidade, em geral, pode oferecer justamente o poder para responder às situações de vulnerabilidade, desenvolvendo um significado maior ao trauma.

iG: O que você indicaria para pessoas que vivem efeitos pós-traumáticos?
Julio Peres: Além da psicoterapia, existem realmente alguns passos que podem ajudar as pessoas a superarem um trauma. Evitar a autovitimização é uma deles. O que você diz para você mesmo e para as outras pessoas pode tanto aliviar como exacerbar o sofrimento. Se você acreditar que o futuro trará conforto e será melhor, também é possível trazer o melhor para o presente. É preciso descobrir a importância de seguir adiante, de fortalecer novos objetivos, de engajar-se num novo projeto: desta forma o trauma vai perdendo força. Além disso, buscar o aprendizado que a experiência dolorosa pode trazer e, principalmente, falar da dor de forma adequada com pessoas que não interfiram o tempo todo no que você diz. Por fim, é essencial acreditar que vivenciar um trauma é um momento de travessia e que a vida pode ser melhor no futuro.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Violência Urbana no Brasil

Não é de hoje que a população brasileira se esconde com medo da violência e dos crimes urbanos. O tráfico de drogas, os seqüestros e a marginalidade estão presentes na história do Brasil há muito tempo. A primeira reportagem de capa de VEJA sobre o tema foi publicada em 1969. O texto destacava a distância crescente entre o tamanho e a freqüência das ações criminosas e os recursos e o preparo das autoridades para combatê-las. A polícia era atrasada e os bandidos eram cada vez mais organizados, audazes e violentos.

A criminalidade no Rio de Janeiro, a segunda maior cidade brasileira, sempre teve grande destaque nas páginas de VEJA. Nos anos 1980, o assunto foi tratado em dezenas de reportagens - incluindo três capas. Em 1988, o destaque era a morte do traficante de drogas Sérgio Ferreira da Silva, chefe do morro carioca da Rocinha, que culminou na troca de comando do tráfico. O poder passou para as mãos de Ednaldo de Souza, o Naldo e, mesmo com essa notícia sendo divulgada pela imprensa, as autoridades pareciam não querer se comprometer com a questão.

Nos anos 1990, dois episódios brutais mancharam de sangue o Rio de Janeiro e fizeram a violência urbana no país ser destacada em toda a imprensa internacional. O primeiro massacre ocorreu em julho de 1993, quando sete crianças de rua foram mortas em frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Houve aqueles que aplaudiram o fuzilamento, mas a história ficaria para sempre na memória do brasileiro como um dos atos mais violentos da história do país. Apenas dois meses depois, nova matança no Rio: uma quadrilha de PMs integrantes de um grupo de extermínio invade a favela de Vigário Geral com armamento pesado e massacra 21 inocentes.

As notícias sobre a corrupção dentro da polícia e o envolvimento das autoridades com o crime eram cada vez mais freqüentes. Já não era mais possível confiar na polícia, como mostrou o episódio da Favela Naval, em Diadema, na Grande São Paulo. Otávio Lourenço Gambra era tido como um policial modelo. Até o dia em que uma fita gravada por um cinegrafista amador mostrou Gambra no comando de um grupo de policiais que se divertia batendo e extorquindo quem passava. Num dado momento, depois de tomar o dinheiro de uma turma de amigos que voltava para casa num Gol, o PM deu dois disparos na direção do carro, que se afastava. Atingido pelos tiros, o conferente Mário José Josino morreu ao chegar ao hospital. Gambra era conhecido pelo apelido de Rambo. Era o fortão que, ao lado dos comparsas, costumava humilhar, agredir e roubar.

Na década seguinte, a sensação de insegurança parecia ainda maior. De acordo com uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça no início de 2000, cerca de 50% dos moradores das capitais evitavam sair à noite com medo da violência. A classe média estava em pânico e debatia se valia a pena andar com arma, além de pagar segurança particular e adotar outras medidas de prevenção em um Brasil que parecia estar entregue aos bandidos. Em 2006, os moradores da maior cidade do país sentiram na pele que o poder parecia estar nas mãos do crime. O PCC, grupo criminoso comandado de dentro dos presídios, espalhou terror pela a capital paulista com diversos ataques, incendiando ônibus e atacando bases da Polícia Militar com tiros e bombas.

Em várias dessas explosões de violência, VEJA publicou reportagens especiais que mostravam o caminho para restaurar a ordem, combater o crime organizado de forma eficaz e devolver ao cidadão o direito de viver com tranqüilidade nas grandes cidades. Muitas dessas reportagens de capa tratam de problemas como a impunidade dos criminosos, a corrupção das autoridades e a falta de rigor na batalha contra o banditismo. Mas quase quatro décadas depois da primeira capa de VEJA sobre a fragilidade do estado diante dos bandidos, o placar continua desfavorável para os policiais e os civis inocentes. 


23/4/1969 
Crimes nas ruas 10/1/1973
Assaltos 7/1/1981
14/9/1983
Crimes no Rio 6/6/1984
Armas de fogo 1/6/1988
23/8/1989
Seqüestros 18/7/1990
Crimes no Rio 27/7/1990
28/7/1993
Candelária 8/9/1993
Vigário Geral 21/8/1996

25/9/1996 
Arma de fogo 9/4/1997 
Favela Naval 23/6/1999 
8/12/1999
Narcotráfico 7/6/2000
Criminalidade 24/01/2001
7/2/2001 
Impunidade 30/1/2002
Celso Daniel 5/10/2005
26/10/2005 
Crime organizado 24/5/2006
PCC 19/7/2006
PCC

10/1/2007 
Criminalidade 21/2/2007 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Proteção aos animais



- Na sociedade atual, um tema sério tem chamado a atenção de todos: a violência contra os animais. Mais do que um gesto repulsivo, uma falta de amor ao próximo.

- No Brasil, os exemplos são os mais diversos: De cães e gatos abandonados, passando por aves maltratadas.

- Ainda no contexto, a crueldade exercida nos rodeios. É lá, aliás, onde os mais diferentes touros são sacrificados, tendo como propósito único, a diversão e o entretenimento.

- Nos grandes centros urbanos, o problema é ainda maior. Em cidades como São Paulo, por exemplo, animais são mortos por pura diversão. Muitos destes, sem ao menos completarem dois meses de vida.

- Para a grande maioria, pesa o sentimento de impunidade. Na realidade, poucos são aqueles que acreditam em algum tipo de punição.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Praticar violência contra uma criança é crime


Praticar violência contra uma criança é crime. E para isto existe uma legislação específica – O Estatuto da Criança e do Adolescente – que está aí para determinar a punição. No Brasil é caso de polícia.Só para se ter uma idéia da gravidade da questão, é bom lembrar que todos os dias mais de 18 mil crianças são espancadas no país, segundo dados da UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância. Segundo a UNICEF, as mais afetadas são meninas entre sete e 14 anos.
No Brasil, onde existe uma população de quase 67 milhões de crianças de até 14 anos, são registrados por ano 500 mil casos de violência doméstica de diferentes tipos. Em 70% dos casos os agressores são pais biológicos.
A violência contra a criança é crescente, mas nem sempre ocorre na forma de abuso sexual, tema que vem sendo amplamente discutido. Levantamento inédito do Núcleo de Atenção a Criança Vítima de Violência, da Universidade do Rio de Janeiro(UFRJ) mostra, com base de dados coletados de 1996 a Junho deste ano, que:
• 29,1% de meninos e meninas são vítimas de abuso físico.
• A violência sexual aparece em segundo lugar – 28,9%
• 25,7% sofreram negligência
• 16,3% abuso psicológico

Violência Infantil

Denúncia recorde de violência infantil
A morte da menina Sóphie, de 4 anos, por maus-tratos, encorpa a estatística da violência infantil: o número de denúncias diárias deste ano, 92, já é o maior desde maio de 2003, quando foi criado o Disque Denúncia de Proteção contra Abuso e Exploração contra Crianças e Adolescentes.

Brasil recebe 92 denúncias por dia

Carlos Braga, Márvio dos Anjos, Jornal do Brasil

A morte da menina Sophie Zanger, de 4 anos, em decorrência de maus-tratos, engrossa algumas das estatísticas mais vergonhosas do Brasil a respeito da violência infantil. E a tendência de crescimento do número de casos está longe de parar. Até maio deste ano, o número de ligações anônimas apontando todos os tipos de violência contra menores (maus-tratos, abuso sexual, negligência) foi de 13.945 – um pouco superior ao total de 2006, de 13.830. No ano passado, foram anotadas 32.588 ligações. Boa parte do crescimento desse número pode ser creditada à maior divulgação do serviço de informação confidencial. Ao mesmo tempo, também significa que o Brasil superou aspectos tolerantes em relação à violência doméstica.

– É preciso considerar que o Estatuto da Criança e do Adolescente criou um sistema relativamente novo, que faz em julho 19 anos, e que tudo corre lentamente no Brasil – afirma o pediatra Lauro Monteiro, editor do site Observatório da Infância – em que a família mera tida como sacrossanta. Antes, acreditava-se que só os pobres espancavam e abusavam de seus filhos. Além disso, há a questão da persistência do machismo e da dominação no lar, mas estamos melhorando nessas temáticas.

De fato, são as meninas que mais sofrem com a violência. Das 165.346 vítimas contabilizadas pelo Disque Denúncia, 62% são do sexo feminino e 38%, do sexo masculino.

– A Justiça precisa entender que determinados mecanismos não dão certo. Muitas vezes, a criança delinque, é levada ao juiz, o juiz libera e fala para a criança voltar em uma semana. Obviamente, ela não volta. É necessário criar medidas mais radicais. O deputado estadual Alessandro Molon (PT), membro Comissão de Assuntos da Criança, do Adolescente e do Idoso, é outro que admite a falha do estado no caso.

– É evidente que nesse caso o estado brasileiro falhou. Trata-se de uma menina de 4 anos que ficou desprotegida. Essa morte estúpida poderia ser evitada se as instituições tivessem agido com um mínimo de presteza, já que essa situação parece que perdura havia dois anos. Não há dúvida que nossa comissão tem o dever de discutir medidas que tornem mais ágil a Justiça e contribuir para proteger as crianças.

FONTE: Jornal do Brasil

Violência contra mulher: omissão é conivência

"A lei é a força colocada a serviço da sociedade para o benefício de todos"
Cesare Beccaria A violência contra a mulher é violência contra a humanidade. Enganam-se os machistas ao relegarem o problema como afeto somente ao ambiente doméstico. Não existe democracia sem Direitos Humanos. Cedo ou tarde, os indiferentes, omissos ou coniventes com esse “status quo” serão vítimas indiretas dessa barbárie doméstica, e praticada em diversos países como ato punitivo amparado por lei. Cabe ressaltar que a maioria dos homens não faz parte desse perfil machista.




É preciso não mais argumentar com a máxima, cruel, de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.” É preciso também derrubar o mito de que a violência contra a mulher, o que vem logo à mente, é a pura agressão física. Na realidade, a violência contra a mulher vai além da física.

Além do mais a violência contra o ser humano fere valores, normas, condutas e convenções.
José Mesquita – Editor

Violência contra a mulher: 61,5% das agredidas são atacadas todos os dias

Mulheres negras, entre 20 e 40 anos e que não ultrapassaram o ensino fundamental, são as que mais recorrem à Central de Atendimento à Mulher, criada para dar informações e orientações às vítimas de violência. A maioria (61,5%) diz sofrer agressões diárias, cometidas principalmente pelos companheiros. Os números integram estudo da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres divulgado ontem para lembrar os 2 anos de vigência da Lei Maria da Penha.


Studio Gama

A procura por atendimento na central cresceu 107,9% se comparado o primeiro semestre deste ano e o mesmo período de 2007. Em 2008, 121.891 mil mulheres acessaram o serviço – aumento atribuído à lei. Do total, 9.563 denunciaram violência, crescimento de 9,8% sobre as queixas do ano passado.

Pesquisa do Ibope também divulgada ontem mostra que 68% dos brasileiros conhecem a lei e, dos entrevistados, 83% disseram que ela ajuda a reduzir a violência. Feita entre 17 e 21 julho, a pesquisa ouviu 2.002 pessoas em 142 municípios. Fátima Pacheco Jordão, coordenadora do estudo, avalia que os resultados refletem um panorama melhor. “Mas há ainda uma situação dramática: 42% dos entrevistados dizem que as mulheres não procuram serviço de apoio quando agredidas”, diz.

Esse porcentual varia de acordo com a classe social. Nas classes A e B, 47% dos entrevistados disseram acreditar que a mulher não costuma procurar o serviço quando agredida. Entre as classes D e E, o índice é menor: 35%. A pesquisa revela que o maior grau de conhecimento sobre a lei está nas regiões Norte e Centro-Oeste, com 83%. No Sudeste, com 55%, está o menor.

Fátima avalia que, apesar de dificuldades, há hoje um risco muito pequeno de as normas caírem no esquecimento ou no descrédito. “Assistimos a um movimento sem volta. Mulheres cobram melhores condições de atendimento.”

Maria da Penha, vítima de violência cuja trajetória se tornou exemplo, avalia que as novas regras inibem agressões. “Vejo isso em comunidades. Quando um homem vê que o vizinho do lado foi preso por agredir a mulher, ele pensa duas vezes antes de fazer o mesmo.”

Apesar do apoio e popularidade conquistados, a lei ainda é aplicada parcialmente. Parte dos juízes resiste em aplicar as regras, delegados ignoram cuidados que devem ser dispensados às mulheres, sem falar no aparato insuficiente para garantir assistência às vítimas.

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria para Política das Mulheres, admite preocupação com a conduta de juízes que se recusam a conceder medidas protetoras. “Há corrente minoritária que considera a lei inconstitucional, pois fere o princípio de que todos são iguais perante a lei. Por isso, uma Ação Declaratória de Constitucionalidade foi proposta no STF, para acabar com a polêmica.”

Conclusão é de estudo feito com vítimas que buscaram atendimento
Lígia Formenti – O Estado de São Paulo 

Violência contra a mulher

                                                       
“Qualquer ato ou conduta que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública quanto na privada, é considerado violência.” Esta é a definição prevista na Convenção Interamericana (também conhecida como “Convenção de Belém do Pará”), de 1994, para Prevenir e Erradicar a Violência contra a Mulher.


Quatro entre cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de violência doméstica

Pioneira na luta pela proteção à mulher, a convenção tem como uma de suas principais consequências a Lei Maria da Penha, responsável pela criminalização da violência contra a mulher desde 2006, já que prevê punição para os agressores.

Números do Anuário das Mulheres Brasileiras 2011, divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e pelo Dieese, mostram que quatro entre cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de violência doméstica.

Dados da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) revelam aumento da formalização das denúncias. Os atendimentos da central subiram de 43.423 em 2006 para 734.000 em 2010, quase dezesseis vezes mais.

A cidadã brasileira conta também com o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, desenvolvido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República. Lançado em 2005, o plano traduz em ações o compromisso do Estado de enfrentar a violência contra a mulher e as desigualdades entre gêneros.

Uma dessas ações práticas é o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, criado três anos depois. A iniciativa conta com investimentos de R$ 1 bilhão em projetos de educação, trabalho, saúde, segurança pública e assistência social destinados a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Entre esses projetos do pacto estão:
• Construir, reformar ou equipar 764 serviços da Rede de Atendimento à Mulher;
• Capacitar cerca de 200 mil profissionais nas áreas de educação, assistência social, segurança, saúde e justiça;
• Capacitar três mil Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centros Especializados de Assistência Social (CREAS) para atendimento adequado às mulheres em situação de violência;
• Ampliar o atendimento da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), dentre outras ações.

Mais serviços
No site do Ministério da Saúde é possível consultar os locais de Serviços de Atendimento à Vítimas de Violência Sexual, e os Serviços de Atendimento à Vítimas de Violência Doméstica em território nacional.

Fontes:
Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher

Anuário das Mulheres Brasileiras 2011
Secretaria de Políticas para as Mulheres

Plano Nacional de Políticas para as Mulheres

Violência Contra Animais e a Violência Doméstica: Qual a ligação?


Rita de Cassia Garcia
                                                                                                    Assessoria Técnica

Coordenadoria de Controle de Doenças - SES/SP

Qual a relação entre maus-tratos e crueldades para com os animais e a violência doméstica? Existe um elo entre eles? Não é de hoje que pesquisas comprovam a ligação entre a violência doméstica e a violência contra os animais de estimação, esta ultima servindo como sinal de alerta para a possível existência da violência contra seres humanos mais fragilizados no contexto familiar, como no caso de crianças, idosos e até mesmo mulheres. Mas também a crueldade contra os animais está presente como uma característica comum nos registros de estupradores e assassinos em série. O abuso contra animais aparece de forma clara nas histórias de pessoas com comportamento violento (FBI, 1998; Alan Brantley, 1996).

A violência doméstica, muitas vezes, começa com o abuso ou maus-tratos de animais. Dessa forma, cientistas sociais e órgãos de execução penal norte-americanos passaram a encarar a crueldade contra animais como um grave problema humano, diretamente relacionado à violência doméstica, abusos contra crianças, idosos e outros crimes violentos, se tornando um meio eficaz de romper o ciclo da violência doméstica de uma geração para a outra (Associação Internacional dos Chefes de Polícia, 2000).

Na Filadélfia (Estados Unidos) uma criança de 4 anos foi espancada até a morte em janeiro de 1999. Mas as autoridades de controle de cães e gatos já haviam estado no local, meses antes, devido a denuncias de crueldade com o cão da família, feitas por vizinhos. Esse caso, entre centenas de outros, é um exemplo de como os serviços de controle de zoonoses e de controle de populações de cães e gatos, em parceria com os profissionais médicos veterinários, podem auxiliar os órgãos competentes a diagnosticar a violência doméstica (Phil Arkow, 2004).

Em pesquisa realizada por DeViney, Dickert & Lockwood, 1983, abusos contra animais aconteceram em 88% das famílias em que ocorreram casos de abusos físicos contra crianças. Segundo Groves, 2004, entre 45% a 60% dos lares com violência doméstica apresentam maior risco de abuso contra crianças.

Tanto as crianças como os animais são vítimas silenciosas da violência doméstica, muitas vezes vítimas invisíveis. Como o abuso contra o animal é um indicador de um lar caótico, no qual a segurança das crianças está em risco, tal abuso deve ser percebido e documentado, da mesma forma que um problema de bem-estar humano, e ser redefinido, também, como violência doméstica. Por sua vez, a comunidade deve ser treinada para reconhecer e denunciar todas as formas desta violência.

Por fim, a crueldade contra os animais não deve ser ignorada, mas encarada como a manifestação da agressividade latente, pois pode mostrar sinais de um comportamento futuro violento contra humanos. “Quando animais sofrem abusos, as pessoas estão em perigo. Quando as pessoas sofrem abusos, os animais estão em perigo”, Associação Internacional dos Chefes de Polícia, 2000.

*Texto escrito a partir de informações passadas durante a apresentação de Phil Arkow, no Simpósio de Policiais, em 2004, em São Paulo.



Bibliografia
Alan Brantley, Agente Especial do FBI, Unidade de Ciências do Comportamento, 1996
Arnold Arluke & Carter Luke, Northeastern University & Massachusetts SPCA, 1997
“Animals Relations in Childhood and Later Violent Behaviour Against Humans”
K-G Schiff & D.A. Louw, Dept. of Psychology, University of the Orange Free State & Frank R. Ascione, Psychology Dept., Utah State University
Betsy McAlister Groves, Child Witness to Violence Project, Boston MA, 2004

Coordenadoria de Controle de Doenças

Violência Contra Animais

                                   
Violência contra animais

A espécie humana e todo reino animal, enquanto criaturas do onipotente, têm um pouco de divino, por conseqüência, o homem, dotado de inteligência, raciocínio e discernimento, tem a missão sublime de cuidar de si e proteger os animais. A Sociedade Protetora dos Animais, neste sentido, é um avanço, contudo, se faz necessário, uma conscientização maior. Maus tratos contra pequenos e indefesos são constantes, substituindo proteção por crueldade. Junte-se a nós! Participe! Sua opinião pode evitar covardia e manter espécies. Observação. Consolidado, o resultado da pesquisa será enviado aos Excelentíssimos Senhores Presidentes da República Federativa do Brasil, do Senado da República, da Câmara do Deputados, das Assembléias Legislativas, aos Senhores Governadores Estaduais e às Instituições interessadas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Bullying Na Escola

Lucas Azevedo
Do UOL, em Porto Alegre

Mãe de suposta vítima de bullying é acusada de agredir alunos em escola no RS


Na tarde da última terça-feira (17), uma mãe, acompanhada de dois filhos, entrou em uma escola estadual do Rio Grande do Sul e supostamente agrediu uma professora e duas alunas menores de idade. O episódio ocorreu no centro de Pelotas (246 km de Porto Alegre) e foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia da cidade. A mãe alegou que sua filha, de 14 anos, sofria bullying.

Segundo a Polícia Civil, a mulher – cujo a identidade não foi revelada – entrou no Colégio Estadual Dom João Braga, em busca de duas meninas, uma de 12 e outra de 14 anos. Nas dependências da instituição, a mãe, acompanhada de dois filhos, inquiriu as jovens sobre as agressões que sua filha estaria sofrendo por usar óculos e estar acima do peso.

Enquanto a mulher confrontava as duas alunas, a professora de educação física Letícia Blass tentou intervir. De acordo com a professora, nesse momento ela foi agredida pela mãe e empurrada por um dos seus filhos.

Em relato à polícia, a mãe disse que apenas segurou pela roupa uma das meninas e que, ao ser contida pela professora e tentar se soltar, a atingiu com o cotovelo. Letícia registrou boletim de ocorrência denunciando a mulher por ter dado um tapa no rosto de uma aluna de 14 anos.

A mulher afirma que a filha sofre, há ao menos três meses, com chacotas e agressões de um grupo de colegas, e que já havia procurado a direção da escola pedindo uma solução. Mas, segundo a diretora Laura Machado, em nenhum momento a instituição foi comunicada sobre esse tipo de ocorrência.

“Essa mãe nunca esteve presente na escola. Já fizemos três reuniões com os pais, e ela nunca compareceu. Tanto é que ela não retirou o boletim da filha nem nos trouxe o histórico escolar da menina, que requisitamos no início do ano”, relata a professora.
JUSTIÇA

O caso foi encaminhado à 5ª CRE (Coordenadoria Regional de Educação), que abriu uma investigação interna sobre o ocorrido.Se for comprovado que a escola agiu de forma omissa, serão tomadas medidas administrativas e pedagógicas em relação ao fato.

Durante toda a tarde desta quinta-feira (19), professores, a direção e representantes da coordenadoria regional estiveram reunidos tratando do assunto. A diretora diz que fez queixa na polícia e que quer levar o caso à Justiça. “Temos 36 câmeras de segurança no colégio que registraram as agressões. Esse material já está com a polícia”, revelou.

Procurada pela reportagem a delegada da Infância e do Adolescente de Pelotas, Márcia Chiviacowsky, não foi encontrada. O caso está sendo investigado pela especializada, já que envolve menores.

Nessa quarta-feira, as aulas foram suspensas, um dia antes do período de férias escolares. Os alunos do grêmio escolar aproveitaram o tempo livre para realizar uma pequena manifestação pedindo mais segurança.

Violência Doméstica - Amanda Fong Kim Yen prova agressões do marido na Internet


Mulher grávida posta vídeo na internet para provar agressões do marido

São imagens chocantes...Amanda Fong Kim Yen, decidiu provar que era alvo de abusos físicos e psicológicos, por parte do seu companheiro, postando um vídeo na Internet!

Amanda, está grávida de dois meses, e tem apenas 19 anos, as imagens vergonhosas que podes ver abaixo, foram gravadas na loja do casal na Malásia: "Amanda & Co" e nelas podes ver o seu companheiro, Calven Chik Foo Keong, comportar-se de uma forma que nem merece um adjectivo...

Como podes ver no vídeo, as imagens gravadas por uma câmera de segurança da loja, reportam-se a 23 de Agosto de 2012.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Tipos De Violência



TIPOS DE VIOLÊNCIA




Violência Física

 A violência física é o uso da força com o objectivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes.

São comuns, murros, estalos e agressões com diversos objectos e queimaduras.

A violência física pode ser agravada quando o agressor está sob o efeito do álcool, ou quando possui uma Embriagues Patológica ou um Transtorno Explosivo.



 Violência Psicológica

A violência psicológica ou agressão emocional, tão ou mais prejudicial que a física, é caracterizada pela rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas.

É uma violência que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente provoca cicatrizes para toda a vida.

Existem várias formas de violência psicológica, como a mobilização emocional da vítima para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e de importância, ou como a agressão dissimulada, em que o agressor tenta fazer com que a vítima se sinta inferior, dependente e culpada.

A atitude de oposição e aversão também é um caso de violência psicológica, em que o agressor toma certas atitudes com o intuito de provocar ou menosprezar a vítima. As ameaças de mortes também são um caso de violência psicológica.

Violência verbal

A violência verbal não é uma forma de violência psicológica. A violência verbal normalmente é utilizada para oportunar e incomodar a vida das outras pessoas.

Pode ser feita através do silêncio, que muitas vezes é muito mais violento que os métodos utilizados habitualmente, como as ofensas morais (insultos), depreciações e os questionários infindáveis.



Violência sexual

Violência na qual o agressor abusa do poder que tem sobre a vítima para obter gratificação sexual, sem o seu consentimento, sendo induzida ou obrigada a práticas sexuais com ou sem violência física.

A violência sexual acaba por englobar o medo, a vergonha e a culpa sentidos pela vítima, mesmo naquelas que acabam por denunciar o agressor, por essa razão, a ocorrência destes crimes tende a ser ocultada.



 Negligência

A negligência é o acto de omissão do responsável pela criança/idoso/outra (pessoa dependente de outrem) em proporcionar as necessidades básicas, necessárias para a sua sobrevivência, para o seu desenvolvimento.

Os danos causados pela negligência podem ser permanentes e graves.