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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

As mães de Chico Xavier

Elas perderam seus filhos de forma trágica, buscaram consolo nas cartas psicografadas pelo médium mineiro e mudaram o curso de suas vidas depois desse encontro

Rodrigo Cardoso e João Loes



Certa vez, o carioca Chico Buarque de Holanda debruçou-se sobre um papel e rabiscou “Pedaço de Mim” (1978). Dizia a letra da canção: “Ó metade de mim / Ó metade arrancada de mim / Leva o seu olhar / Que a saudade é o pior tormento / Que a saudade é o revés de um parto / A saudade é arrumar o quarto / Do filho que já morreu.” Só mesmo um poeta para verbalizar de maneira precisa o que uma mãe sente quando enterra um filho. Um outro Chico, de sobrenome Xavier – nascido Francisco Cândido Xavier (1910 – 2002), em Pedro Leopoldo, Minas Gerais –, passou a vida confortando mães, pais, avós, enfim, pessoas que perderam entes queridos. E o fazia afirmando, também por meio de rabiscos a lápis em folhas em branco, a continuidade da vida além do corpo em um outro plano, o espiritual. Com o seu trabalho psicográfico, o médium Chico Xavier patrocinou mudanças na vida de milhares de brasileiros. Além de consolar, despertava as pessoas para a dor alheia e as ensinava a trocar o luto desesperador pelo cuidado com aqueles que, ao redor, sofriam tanto quanto ou mais do que elas.

“O Chico me tirou de um pesadelo“
“Querido papai Wilson e querida mamãe Chiquinha”, riscou Chico Xavier em letras grandes e arredondadas. Era sexta-feira, 18 de outubro de 1980. A carta, mais uma das psicografias feitas pelo médium naquele dia, seria lida mais tarde pelo próprio Chico para êxtase de Francisca Ruiz Dellalio e Wilson Dellalio, pais de Eduardo Ruiz Dellalio, morto quatro meses antes, aos 18 anos, em um acidente de moto a quatro quadras de sua casa, no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Era o primeiro texto que recebiam. “Estava pensando em férias sem qualquer sombra nas ideias, quando o choque me surpreendeu”, continuou a carta, que coincidia com o que os pais vinham conversando com o filho na época do acidente.

Eduardo era mais do que o único filho de dona Chiquinha e seu Wilson. Das dez gestações de Francisca, cinco resultaram em aborto, duas em crianças natimortas, uma em um menino que morreu com uma semana de vida e a outra em uma menina, Kátia, que faleceu com pouco mais de um ano. “Até receber a primeira mensagem do Eduardo, simplesmente não vivia”, lembra Chiquinha, que costumava acordar de madrugada e correr, aos prantos, para cheirar as roupas do filho no armário. “O Chico me tirou de um pesadelo”, atesta. “Ele foi a minha salvação.” Do homem que lhe deu conforto com 22 mensagens e quase 300 páginas de texto psicografado, Chiquinha, hoje com 69 anos, guarda lembranças dignas de uma devota que conheceu seu Deus. “Perto dele você não sentia o chão. Me segurava em cada palavra que ele dizia.” Uma carta em especial tocou fundo Francisca. Na mensagem de número sete, o filho repetiu uma expressão comum apenas entre eles. “Esticar minhas andanças” era o que Eduardo dizia quando queria um complemento da semanada dada pelo pai para que pudesse passear mais com os amigos nos finais de semana. “Nem o pai sabia disso, só eu e ele”, diz, emocionada. “Ainda sinto o cheiro do perfume dele pela casa”, lembra.

As cartas que Chico psicografou a familiares durante sua trajetória mediúnica, iniciada em 1927, aos 17 anos, são um dos legados mais marcantes do maior líder espírita da história do Brasil. Por meio delas, pessoas já falecidas teriam estabelecido contato com aquelas que, aqui, morriam de saudade. Em 2 de abril se encerram as comemorações do centenário de nascimento do médium mineiro. Um dia antes, entra em cartaz “As Mães de Chico Xavier”, dos diretores Glauber Filho e Halder Gomes, que retrata o sofrimento de duas mães que perderam seus filhos e de uma que, ainda grávida, tem o pai de sua filha morto em um assalto. Mais do que esses relatos inspirados em histórias reais e no livro “Por Trás do Véu de Ísis” (Ed. Planeta), de Marcel Souto Maior, o filme é feliz ao retratar como as mulheres passam a reagir melhor às perdas e, desse modo, a levar uma vida mais normal, depois que recebem, por meio do médium, mensagens vindas do plano espiritual (leia texto sobre o filme na pág. 75).

“Meu desafio é não morrer de tristeza“
Quem vê a professora aposentada Célia Diniz, 60 anos, falar e agitar-se sem esconder o sorriso ou deixar o cansaço dar as caras não imagina a quantidade de reveses que ela encarou. Casada há 35 anos, Célia foi mãe, nessa ordem, de Agnaldo, Mariana e Rangel em um intervalo de três anos, entre os 27 e os 30 anos. Em 1983, presenciou a morte do caçula, então com três anos. Há cinco, enterrou a única filha, aos 27. Rangel sucumbiu depois de cair da bicicleta e bater a cabeça. Mariana, de dengue hemorrágica. Os pais de Célia, Lico e Lia, foram amigos de Chico Xavier e presidiram o Centro Espírita Luiz Gonzaga, fundado pelo médium em Pedro Leopoldo (MG). Hoje, é a professora aposentada quem ocupa esse posto. Espírita de berço, Célia foi moldada pela doutrina. Mas a dor também machuca as mães espíritas. “Quando chegou a minha vez, lembro de estar passando a mão na testa e no cabelinho de Rangel, já no caixão, e perguntar para a minha mãe como ela tinha dado conta disso oito vezes (a mãe de Célia perdeu oito dos 18 filhos)”, conta ela, que ouviu de Lia que a filha só daria conta se segurasse na mão de Nossa Senhora. “Não foram as palavras da minha mãe que me confortaram, mas a vida dela depois das perdas. Ela era uma mulher feliz, pacificada, carinhosa...”

É a esperança de um reencontro com os filhos que joga Célia para a frente – Rangel, um ano após falecer, comunicou-se com ela e os familiares em uma carta psicografada por Chico. Ser a melhor pessoa possível para merecer essa bênção a faz dar palestras e ser atuante em casa e no centro Luiz Gonzaga.

“A maior dor de uma mãe é quando o sofrimento do filho não passa mais com um beijinho. Após a morte de Mariana, meu desafio é não morrer de tristeza.” E Célia demonstra que , com a força da fé, a normalidade e a felicidade pontuam a sua rotina.

É ponto pacífico entre leigos e especialistas: o luto de uma mãe que perdeu o filho é o mais difícil de ser enfrentado. “É o vínculo mais forte que existe”, afirma Vera Lúcia Dias, mestre em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), terapeuta das perdas e do luto, além de autora da tese de mestrado “Mensagens Psicografadas e Luto” (PUC-SP, 2002) e do livro “Quando a Morte nos Visita – Uma Leitura Psicológica dos Processos de Luto e da Busca por Mensagens Psicografadas”, a ser lançado em junho de 2011. Mineira de Uberaba, a psicóloga assistiu durante anos ao fenômeno das mães que buscavam as cartas de Chico Xavier em sua cidade. “As senhoras que ouvi para minha tese diziam que vinham buscar notícias dos filhos”, conta. Em sua pesquisa qualitativa, todas elas foram unânimes em dizer que receber as mensagens trouxe conforto e alívio. “Uma mãe que perde um filho se faz muitas perguntas – onde ele está, se está bem, etc. E as psicografias dão um certo conforto nesse sentido”, afirma.

Essa atividade consoladora de Chico passou a ser reconhecida nacionalmente quando o médium vivia em Uberaba, para onde se mudou em 1959, aos 49 anos. Foi em 1972, depois de participar do programa de televisão “Pinga Fogo”, que ele assistiu a uma caravana de brasileiros baterem à sua porta à procura da certeza de que pessoas queridas seguiam vivendo após a morte. Psicografar cartas, porém, era uma prática que o acompanhava desde os anos 30, ainda em Pedro Leopoldo. Com 17 anos, o mineiro psicografaria a primeira mensagem, assinada por um espírito amigo. Nesse mesmo dia, receberia uma carta assinada pela própria mãe, Maria de São João de Deus, que havia morrido quando ele tinha 5 anos. Segundo a médica Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-BR), a psicografia de Chico era inconsciente. É como se ele se doasse por inteiro para que o espírito comunicante falasse por si com total individualidade. Coautora com Paulo Rossi Severino e a equipe da AME-SP de “A Vida Triunfa”, que analisa a natureza da mediunidade do mineiro, Marlene explica que Emmanuel, o guia espiritual de Chico, funcionava com uma espécie de filtro e selecionava os espíritos que estivessem preparados para passar uma mensagem positiva. “Ele escolhia aqueles prontos para fazer recomendações, como a de ajudar os mais carentes”, diz. “O espírito do filho trabalharia junto aos pais nessa missão caritativa. Ajudar, portanto, era uma forma também de os pais se aproximarem do filho que partiu.” De fato, no conteúdo das mensagens sempre havia o chamado para que se cuidasse da dor do próximo.

“O Chico é tudo na minha vida“
“Desde menina achava que morreria aos 42 anos”, conta Lucy Ianez da Silva, hoje com 80 anos. “Não morri”, diz. “Mas perdi meu filho aos 42.” José Roberto Pereira da Silva, primogênito de Lucy, morreu no dia 8 de junho de 1972, aos 18 anos, em um acidente de trem entre Mogi das Cruzes e São Paulo. O jovem, que morava com a família na capital, escolheu estudar medicina na cidade vizinha justamente pela necessidade da viagem de trem, de que ele tanto gostava. “Desde criança, antes de carrinho e de bola, a preferência do José Roberto era o trem de ferro”, diz Lucy. Quis o destino que ele morresse dentro de um.

Meses depois do acidente, o pai do garoto, que abandonara o trabalho, ia três vezes por dia ao cemitério, enquanto Lucy tentava se recuperar do irrecuperável na casa da mãe. “Fui criada no seio católico: morreu, purgatório, céu, inferno, essas coisas”, enumera. “Não tinha alento.” No auge de seu desespero, uma amiga a convenceu a ir até Uberaba. Nas duas primeiras visitas não veio nada, mas na terceira tudo mudou. “Mãezinha, o que se perdeu foi o retrato que um dia, em verdade, deveria desaparecer”, dizia José Roberto na primeira carta que mandou, em 29 de setembro de 1973. Outras 20 seguiriam. “Não queira morrer para reencontrar-me porque eu prossigo vivendo. Estamos juntos, só que de outra forma”, reiterou. Lucy voltou a sorrir, continuou retornando a Uberaba por duas décadas atrás de notícias do filho e sempre foi atendida.

“O Chico é tudo na minha vida”, diz ela. “Nunca vi alguém como ele e nunca verei mais.” A católica Lucy passou a frequentar centros espíritas com afinco e a trabalhar nas obras sociais ligadas à religião, tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais. No começo da década de 90, parou de visitar Uberaba.

“A gente já tinha tanto, não queria pegar o lugar de mães que iam sempre e nunca recebiam nada.” Hoje, a saudade que mareja os olhos azuis de Lucy não é mais só do filho e do marido, que já morreu – ela inclui Chico Xavier.

Ampliar o conceito de família, passando a cuidar de outros filhos, de pessoas que não eram sangue de seu sangue, é o que une a trajetória das mães que receberam mensagens de seus filhos por meio de cartas psicografadas por Chico Xavier. “Só há uma maneira de sair inteiro de uma tragédia como a nossa: esquecer um pouco de si e tentar fazer a vida ao redor ser um pouco melhor. A energia que recebo das pessoas que ajudo me alimenta”, conta a professora mineira aposentada Célia Diniz, 60 anos, que perdeu dois filhos e cuja história inspirou uma das personagens no filme “As Mães de Chico Xavier” (leia o perfil dela e de outras mães ao longo desta reportagem). Coordenadora do laboratório de estudo sobre o luto da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Maria Helena Franco reconhece o uso das mensagens psicografadas como uma maneira de viver o luto. “Se tem sentido para elas, é digno de estudo para nós”, afirma. Mas a preocupação nunca será a de descobrir se as mensagens são ou não verdadeiras. “O que nos impele a estudar o fenômeno são as motivações das pessoas que vão até os centros espíritas atrás de mensagens psicografadas.”

“O que me ajudou a continuar vivendo foi o Chico“
Quando Shirley Rodrigues recebeu a notícia de que seu filho, Sidney, havia cometido suicídio enquanto dava plantão no quartel da Aeronáutica no qual servia, em São Paulo, não acreditou. Segundo ela, o menino de 18 anos não teria razões para isso. “Além da dor da morte, fiquei com a dor da dúvida”, lembra ela, na época com 40 anos e hoje com 74. Católica, Shirley resistiu aos primeiros convites de uma amiga para visitar Chico Xavier, mas, no desespero, acabou aceitando. “Lá, descobri que só de estar ao lado dele me sentia viva de novo”, diz ela, que visitou Uberaba seis vezes antes de receber a primeira mensagem de Sidney, 19 meses depois daquela quinta-feira, 2 de dezembro de 1976, quando ele morreu. “Não cometi suicídio”, garantia o texto, que descrevia o tiro que matou Sidney como acidental. A foto do filho, estampada em uma medalha no peito da mãe, se mexe com o soluçar de Shirley, que chora sempre que lê as cartas.

O garoto disse que lustrava a arma quando ela escapou de sua mão, caiu no chão e disparou. O projétil ricocheteou até acertar a base de seu crânio, do lado esquerdo. No texto ele pedia, ainda, para que os pais assinassem os laudos oficiais, mesmo que apontassem suicídio, e assim encerrassem o assunto. “Feito isso espero retornar-me à tranquilidade de que necessito”, dizia Sid, como era chamado, do além.

Assim foi feito, em nome da tranquilidade do filho e da família. Mas, apesar de querer acreditar, Shirley ainda tinha dúvidas quanto ao que ouviu de Chico. “Eu pensava que ele dizia essas coisas para me confortar”, conta. A segunda carta, segundo ela, acabou com as dúvidas ao citar o nome de familiares já mortos que estariam guiando Sid no além. “O que me ajudou a continuar vivendo foi o espiritismo e o Chico”, garante Shirley. “Sem isto não teria aguentado.”

A mãe diz sentir a presença do filho de quando em quando, mas lamenta nunca ter tido a oportunidade de vê-lo, como outras já viram. “Acho que não devo estar pronta”, lamenta.

Até os anos 90, Chico Xavier demonstrava uma disposição impressionante nas reuniões públicas de psicografia do Grupo Espírita da Prece, que ele fundou em Uberaba. As sessões ocorriam nas noites de sexta-feira e sábado e eram presenciadas por cerca de 500 pessoas – sentadas, debruçadas na janela e em pé ao redor da casa. Os trabalhos tinham início com a leitura de trechos do “Livro dos Espíritos” e do “Evangelho Segundo o Espiritismo”, do criador da doutrina espírita, Allan Kardec. A psicografia começava às 20h e seguia até as 4h. Chico colocava no papel cerca de dez mensagens por dia – algumas de até 70 páginas, segundo Nobre, da AME–BR. “Ele fazia questão de ler carta por carta e entregá-las aos familiares. Ao final da sessão, ainda contava causos, abraçava as pessoas e fazia graça com o próprio sofrimento”, conta o empresário Geraldo Lemos Neto, 49 anos, amigo que auxiliou Chico em suas reuniões entre 1985 e 1991. Segundo Neto, que hoje administra a Casa de Chico, um centro de referência sobre a vida do médium mineiro em Pedro Leopoldo. Todo ano o líder espírita fazia questão de psicografar uma mensagem endereçada às mulheres no Dia das Mães. Sabia que, às mães, reconhecer um filho em suas cartas era acreditar de uma vez por todas que a vida continua, que o amor segue existindo, mas a morte não. Ao proporcionar a elas a alegria de ter o filho de volta pela psicografia, o mineiro injetava poesia no coração das mulheres, tal como seu xará carioca, de sobrenome Buarque.

“Ele ajudou, mas minha vida perdeu a cor“
“Não fui atrás de uma mensagem, minha esperança era entrar no centro e reencontrar meu filho”, admite a paulistana Neusa Collis, 69 anos, sobre a motivação da viagem a Uberaba no final de 1984. Em outubro, seu primogênito, Antônio Martinez Collis, então com 24 anos, foi assassinado durante um assalto. Nos meses que se seguiram, ela emagreceu 30 quilos, mal saía do quarto e se recusava a ver a luz do dia. “Eu estava revoltada com Deus”, resume Neusa, que era católica e hoje é espírita.

No primeiro encontro com Chico Xavier, Neusa não recebeu mensagem do filho. Mas ela insistiu. Lembrava que, uma semana antes de morrer, Antônio havia contado que sentia sua morte se avizinhar. Seria sinal de maturidade espiritual? Talvez. A confirmação viria quatro meses depois, em fevereiro de 1985, quando o filho se comunicou através do médium de Uberaba. “Você é a rosa da minha vida”, leu Chico Xavier, em carta endereçada à Neusa. Naquele momento, a mãe teve certeza de que a mensagem era dele. “Quando ainda era vivo, escolhi uma rosa e disse para mim mesma que ela o representaria”, lembra. Era muito mais prova do que ela precisava para legitimar o contato, que se estendeu por mais alguns recados psicografados por outros médiuns, na época único alento para a dor que sentia.

Hoje Neusa já não lê mais as cartas do filho – a lembrança machuca mais do que conforta. Sai pouco do apartamento onde vive, a algumas quadras de onde Antônio foi morto, diz ter perdido a vaidade, embora continue uma senhora distinta e cuidada, e não consegue cantar parabéns nem nas festas dos netos.“O espiritismo foi o único lugar onde tive respostas”, afirma. “Ajudou, mas minha vida perdeu a cor”, resigna-se, observando um porta-retratos com a imagem do filho. “Um dia nos reencontraremos”, diz, convicta.

SINTOMAS DA MEDIUNIDADE

                                         
A mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos, que um dia se apresentará ostensiva mais do que ocorre no presente momento histórico.

À medida que se aprimoram os sentidos sensoriais, favorecendo com mais amplo cabedal de apreensão do mundo objetivo, amplia-se a embrionária percepção extrafísica, ensejando o surgimento natural da mediunidade.
Não poucas vezes, é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência.
Não obstante, graças aos notáveis esforços e estudos de Allan Kardec, bem como de uma plêiade de investigadores dos fenômenos paranormais, a mediunidade vem podendo ser observada e perfeitamente aceita com respeito, face aos abençoados contributos que faculta ao pensamento e ao comportamento moral, social e espiritual das criaturas.
Sutis ou vigorosos, alguns desses sintomas permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.
Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o Espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas. Por exemplo, na área física: dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono _ insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada. No comportamento psicológico, ainda apresentam-se: ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais _ sombras e vultos, vozes e toques _ que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos _ encarnado e desencarnado _ se viram envolvidos.
Esses sintomas, geralmente pertencentes ao capítulo das obsessões simples, revelam presença de faculdade mediúnica em desdobramento, requerendo os cuidados pertinentes à sua educação e prática.
Nem todos os indivíduos, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior, conforme elucidava Jesus após o atendimento e a recuperação daqueles que O buscavam e tinham o quadro de sofrimentos revertido.
Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do mister iluminativo.
Trabalhadores da última hora, novos profetas, transformando-se nos modernos obreiros do Senhor, estão comprometidos com o programa espiritual da modificação pessoal, assim como da sociedade, com vistas à Era do Espírito imortal que já se encontra com os seus alicerces fincados na consciência terrestre.
Quando, porém, os distúrbios permanecerem durante o tratamento espiritual, convém que seja levada em conta a psicoterapia consciente, através de especialistas próprios, com o fim de auxiliar o paciente-médium a realizar o autodescobrimento, liberando-se de conflitos e complexos perturbadores, que são decorrentes das experiências infelizes de ontem como de hoje.
O esforço pelo aprimoramento interior aliado à prática do bem, abre os espaços mentais à renovação psíquica, que se enriquece de valores otimistas e positivos que se encontram no bojo do Espiritismo, favorecendo a criatura humana com alegria de viver e de servir, ao tempo que a mesma adquire segurança pessoal e confiança irrestrita em Deus, avançando sem qualquer impedimento no rumo da própria harmonia.
Naturalmente, enquanto se está encarnado, o processo de crescimento espiritual ocorre por meio dos fatores que constituem a argamassa celular, sempre passível de enfermidades, de desconsertos, de problemas que fazem parte da psicosfera terrestre, face à condição evolutiva de cada qual.
A mediunidade, porém, exercida nobremente se torna uma bandeira cristã e humanitária, conduzindo mentes e corações ao porto de segurança e de paz.
A mediunidade, portanto, não é um transtorno do organismo. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.
Tratando-se de uma faculdade que permite o intercâmbio entre os dois mundos _ o físico e o espiritual _ proporciona a captação de energias cujo teor vibratório corresponde à qualidade moral daqueles que as emitem, assim como daqueloutros que as captam e as transformam em mensagens significativas.
Nesse capítulo, não poucas enfermidades se originam desse intercâmbio, quando procedem as vibrações de Entidades doentias ou perversas, que perturbam o sistema nervoso dos médiuns incipientes, produzindo distúrbios no sistema glandular e até mesmo afetando o imunológico, facultando campo para a instalação de bactérias e vírus destrutivos.
A correta educação das forças mediúnicas proporciona equilíbrio emocional e fisiológico, ensejando saúde integral ao seu portador.
É óbvio que não impedirá a manifestação dos fenômenos decorrentes da Lei de Causa e Efeito, de que necessita o Espírito no seu processo evolutivo, mas facultará a tranqüila condução dos mesmos sem danos para a existência, que prosseguirá em clima de harmonia e saudável, embora os acontecimentos impostos pela necessidade da evolução pessoal.
Cuidadosamente atendida, a mediunidade proporciona bem-estar físico e emocional, contribuindo para maior captação de energias revigorantes, que alçam a mente a regiões felizes e nobres, de onde se podem haurir conhecimentos e sentimentos inabituais, que aformoseiam o Espírito e o enriquecem de beleza e de paz.
Superados, portanto, os sintomas de apresentação da mediunidade, surgem as responsabilidades diante dos novos deveres que irão constituir o clima psíquico ditoso do indivíduo que, compreendendo a magnitude da ocorrência, crescerá interiormente no rumo do Bem e de Deus.


(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, no dia 10 de julho de 2000, em Paramirim, Bahia)
Fonte: Jornal Mundo Espírita – março/2001
Por Manuel Philomeno de Miranda ( Espirito )
In Rede Amigo Espírita

Mediunidade não está atrelada à esquizofrenia, diz pesquisa

Estudos desenvolvidos no Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) tentam desvendar um campo ainda de incertezas para a ciência e que tem ganhado destaque na mídia nos últimos meses: experiências espirituais, como a mediunidade.

Desde o ano passado, pesquisadores analisam cerca de cem médiuns de Juiz de Fora para listar critérios para um diagnóstico que diferencie experiências espirituais saudáveis de transtornos mentais, como os psicóticos, pois os dois estados podem se confundir, afirmam pesquisadores. Outro estudo captou imagens do cérebro de médiuns quando psicografavam e quando escreviam um texto de sua autoria, para avaliar quais áreas são ativadas nessa parte do organismo. Já uma pesquisa, finalizada, concluiu que as ocorrências mediúnicas não implicam necessariamente em esquizofrenia, que se caracteriza por delírios e alterações do pensamento e no contato com a realidade.

"Se a pessoa diz que está vendo vultos, será que é uma experiência espiritual não patológica ou alucinação, indicando um transtorno mental?", questiona o professor da UFJF e aluno de doutorado em Saúde Brasileira, Adair Menezes Júnior, para a sua tese em elaboração, que pretende identificar se a experiência espiritual é ou não um transtorno psíquico, para a qual estão sendo entrevistadas as cem pessoas.

O orientador do trabalho, professor da UFJF Alexander Moreira-Almeida, revisou estudos, ao lado de Menezes, apontando nove critérios encontrados para esse diagnóstico que separe o que é uma vivência espiritual do que é um transtorno mental. Em relação à experiência vivida, os nove preceitos são: ausência de sofrimento psicológico; ausência de prejuízos sociais e ocupacionais; duração curta da experiência; atitude crítica (ter dúvidas sobre a realidade objetiva da vivência); compatibilidade com o grupo cultural ou religioso do paciente; ausência de comorbidades; controle sobre a experiência; crescimento pessoal ao longo do tempo e uma atitude de ajuda aos outros. "A presença dessas condições sugere uma experiência espiritual não patológica, mas, por outro lado, há carência de estudos bem controlados testando esses critérios", ressalva o professor.


Esquizofrenia

Em outra pesquisa que reuniu 115 médiuns espíritas, o maior número já investigado em todo o mundo, conforme Moreira-Almeida, autor do estudo, concluiu que as manifestações mediúnicas da maioria dos médiuns começaram na infância e que, atualmente, essas ocorrências não implicam fundamentalmente que a pessoa seja esquizofrênica. Além disso, segundo o trabalho, a mediunidade provavelmente se constitui numa vivência diferente do transtorno de personalidade múltipla.

De acordo com o professor, que é psiquiatra e coordenador do Nupes, a mediunidade foi considerada, pela Medicina, nos séculos 19 e 20, como um grave transtorno mental. Nas últimas décadas, porém, esse conceito desapareceu. "Os médiuns, assim como qualquer pessoa, podem sofrer de transtornos mentais. Mas os estudados exibiram um bom nível de ajustamento social e uma prevalência de problemas psiquiátricos menor do que a população geral", declara.

O principal objetivo do estudo foi definir o perfil sociodemográfico e a saúde mental em médiuns espíritas, além do histórico de suas experiências mediúnicas. Realizado em São Paulo, na época, o trabalho reuniu investigações que apontaram, entre outros dados, que 2,7% dos médiuns entrevistados eram desempregados, 46,5% possuíam ensino superior e 76,5% eram mulheres. Além disso, a média de idade dos entrevistados era de 48 anos e a média de anos no espiritismo, de 16 anos.

A pesquisa foi feita para a tese de doutorado em psiquiatria do professor, na USP, em 2005, intitulada "Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas", apresentada em congressos em vários países. Moreira-Almeida possui outras pesquisas na área, em andamento, como casos de cirurgia espiritual e estudos históricos de investigações científicas de experiências espirituais.


Funcionamento do cérebro

Em um estudo, em andamento, o professor investiga como é o funcionamento cerebral dos médiuns durante a psicografia, para determinar se esse processo está associado a alterações específicas na atividade cerebral. Foram analisados dez médiuns, sadios, sem transtornos mentais presentes, para comparar a ação de psicografar com a tarefa de escrever um texto de autoria do próprio indivíduo, porém, fora do estado mediúnico. As imagens foram coletadas, em agosto de 2008, na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e estão em análise.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O paralítico

Certa feita, estando Jesus em Cafarnaum, a notícia correu e muitos se aglomeraram junto à casa em que Ele estava.

Tantos eram os que desejavam ouvir Sua palavra, que não cabiam sequer junto à porta.

Chegou, então, um paralítico, conduzido por quatro homens.

Não sendo possível a aproximação com o Messias, os condutores descobriram o telhado da residência.

Fizeram um buraco e baixaram o leito onde jazia o enfermo.

Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico que seus pecados estavam perdoados.

Alguns escribas presentes se indignaram e O consideraram blasfemo.

Jesus lhes indagou o que era mais difícil: dizer que os pecados estavam perdoados ou mandar o paralítico andar.

Então, disse ao enfermo para se levantar e andar, o que ele imediatamente fez.

* * *

Essa passagem evangélica dá ensejo a oportunas reflexões.

Muitas pessoas confessam sua necessidade do Cristo.

Dizem desejar Sua paz e Seu conforto. Afirmam-se cansadas das dores e das ardências do mundo.

Mas, frequentemente, alegam obstáculos que lhes impedem a sublime aproximação.

Uns não conseguem tempo para a meditação. Outros experimentam certas inquietudes que lhes parecem intermináveis.

Há ainda os que se julgam prejudicados por familiares muito exigentes, que lhes tiram a paz.

Todavia, para que o homem se sinta na vizinhança psíquica do Mestre, precisa demonstrar legítimo interesse em Seus benefícios espirituais.

Deve estender a capacidade, dilatar os recursos próprios. Necessita marchar ao encontro do Divino Amigo, sob a luz da fé viva.

O Evangelho relata a decisão do paralítico.

Embora suas graves dificuldades de locomoção, ele cuidou de localizar a casa onde o Mestre estava. Observou-a plenamente sitiada pela multidão, mas não desanimou.

Sem poder se locomover, amparou-se no auxílio de amigos. Ante a dificuldade extrema, não hesitou em se fazer passar por pequeno buraco no teto.

Enfrentou os riscos da empreitada, firme em seu propósito. Por fim, conseguiu o contato com o Salvador.

Aproveitou fervorosamente o ensejo divino e se libertou de suas dores e limitações.

Quem deseja aproximar-se de Jesus necessita refletir sobre esse exemplo.

O mundo sempre apresenta alguns empecilhos para os tentames da espiritualização e da vivência cristã.

Essas dificuldades podem crescer nos caminhos humanos. Então, torna-se necessário contornar os obstáculos materiais. Dirigir-se ao Alto, com o amparo dos amigos espirituais.

Orar com fervor e confiança, decidido a fazer o necessário para se encontrar com o Mestre.

Aceitar, sem revolta, passar por apertos e provações. Seguir confiante até cair aos pés do Senhor Jesus.

Então, todos os obstáculos parecerão pequenos. Enfermidades e dores se desvanecerão, para sempre.

* * *

Jesus é o Bom Pastor. Ele conhece todas as ovelhas que o Pai lhe confiou e mantém olhos e ouvidos atentos sobre os filhos sofridos da Terra.

Pensemos nisso. Confiemo-nos ao Celeste Pastor das nossas vidas.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 118, do livroCaminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

Em  26.10.2012.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

CD´s Momento Espírita


    Título das faixas do CD Vol 1:
    01. Perfil de Jesus
    02. Amor a Deus
    03. A prece
    04. A melancolia
    05. O autoconhecimento
    06. A providência divina
    07. Um minuto apenas
    08. O homem triste
    09. A ação da amizade
    10. Auxílio mútuo
    11. O erro
    12. O consolo
    13. A tecnologia
    14. A serenidade
    15. Só o bem prevalece
    16. A esperança
    Total : 1 h 12 min 11 seg
                                                                  
                                                           

                      


                                                                                                       


                                                   


               


                                                                                              

                                   


                                                                                       





                                                      





                                                                                              





                                                                  





                                                              




                                                

Ações Cruéis

                         

Em se observando a enorme diversidade dos animais, descobre-se como o Pai Criador foi pródigo em tudo providenciar ao homem.

Os animais o vestem com suas peles, o alimentam com seus ovos, seu leite, sua carne. Aquecem-no com suas penas e lã.

Com alegria, lhe deliciam os ouvidos tecendo sinfonias nos ramos das árvores ou aprisionados em gaiolas douradas.

Retribuem as carícias com fidelidade extremada, até o sacrifício da própria vida.

Em uma palavra, servem a Humanidade. E o que tem feito o homem pelos animais?

Basta se viaje e nas rodovias se encontram à venda várias aves, especialmente periquitos e papagaios, recém retirados do seu habitat.

Repousam ali, sobre varas improvisadas, de asas cortadas para não alçarem vôo.

Se a necessidade ou a ignorância de quem as retira da mata pode ser entendida, como se desculpar o homem que passa no seu carro, a negócios ou a passeio, que pára e adquire o espécime?

Para quê? Para servir de brinquedo ao filho? Por quanto tempo? Para servir de adorno?

Logo, o bichinho está relegado a um canto, triste. Morre cedo, na maioria das vezes, porque longe da liberdade da sua mata, quando não por doenças que contrai pela alimentação inadequada que recebe.

De outras vezes, descobre-se nos centros urbanos, junto a piscinas improvisadas ou nos jardins, tartarugas e cágados.

Também retirados pequenos do seu local de origem, fazem a alegria da criançada... Por algum tempo.

Até crescerem tanto que deixam de ser engraçadinhos. Alimentados de forma incorreta, têm os seus cascos amolecidos e acabam sendo entregues, quando o são, a zoológicos da cidade.

Para que tirá-los da condição de liberdade?

Tudo isso demonstra a crueldade do ser humano. Crueldade que é fruto do seu egoísmo e do pouco valor que dá à vida.
 
Já se viu, muitas vezes, burros e mulas com os ossos à mostra, carregando fardos pesadíssimos. E ainda recebendo chicotadas. Fome, trabalho excessivo, maus tratos.

Patos e suínos confinados em espaços mínimos, em especial regime de engorda. Prisioneiros, para acelerar a hora de serem levados ao mercado consumidor ou produzirem a melhor iguaria para sofisticados pratos.

Onde o respeito à vida, à natureza, ao ser inferior?

Conscientizemo-nos de que somente alcançaremos a felicidade, quando não venhamos a distribuir o mal, seja para a Terra que nos agasalha, seja para os seres que a habitam.

Porque em síntese, toda agressão à natureza redunda em prejuízo para quem a pratica.

* * *

Carl Sagan, astrônomo americano, disse que se fôssemos visitados por um viajante espacial que examinasse nosso planeta, ele possivelmente concluiria que não há vida inteligente na Terra.

É que o hipotético viajante iria logo descobrir que os organismos dominantes da Terra estão destruindo suas fontes de vida.

A camada de ozônio, as florestas tropicais, o solo fértil, tudo sofrendo constantes ataques.

Redação do Momento Espírita, com base em artigo
publicado na Revista Veja de 27.03.1996.
Em 06.02.2009.

A ação de Deus


                                        
Linda era uma modelo famosa. Requisitada e disputada, conseguia contratos milionários. Apesar do dinheiro, da fama e da beleza, ela não era feliz.

Sentia um imenso vazio por dentro. Sofria de pavor, ansiedade e insônia. Pensou em tomar medicamentos. Alguns amigos aprovaram, outros não.

Ela decidiu procurar outras terapias. Assinou contratos que jamais havia sonhado. Trabalhava muito, mas continuava atormentada.

Um dia, pela manhã, indo de carro para o trabalho, pelo caminho costumeiro, o trânsito parou. Um guarda estava desviando todo o trânsito para uma ruazinha estreita, porque um encanamento havia se rompido na avenida principal.

Dirigindo lentamente pela rua desconhecida, ela passou em frente a uma igreja. Um cartaz, escrito à mão, dizia: Sem Deus não há paz. Conheça Deus, conheça a paz. Todos são bem-vindos.

Ela achou estranho e seguiu em frente. No dia seguinte, fazendo o mesmo trajeto, o trânsito parou. Um incêndio em uma loja fez com que, outra vez, o trânsito fosse desviado por aquela mesma ruazinha.

De novo! - Pensou Linda. E passou outra vez pela igreja. Lá estava o cartaz, que agora lhe pareceu atraente.

De dentro do carro, espiou o interior da igreja.

No terceiro dia, ela pensou em mudar de trajeto. Mas achou que estava sendo muito boba. Afinal, qual era a probabilidade de, em três dias seguidos, acontecer o desvio do trânsito, no mesmo local?

Vai ser um teste, pensou. Se acontecer alguma coisa e o trânsito for desviado, vou ter certeza de que é um sinal.

Quando ela chegou na avenida, lá estavam os policiais outra vez. Um grande acidente, explicou um deles, desviando o trânsito, para a já conhecida ruazinha.

É demais! - Falou Linda, consigo mesma. Estacionou o carro e entrou na igreja. Lá dentro, havia apenas um padre. Ele ergueu os olhos, olhou para ela com um sorriso e perguntou:

Por que demorou tanto? - Ele havia visto o carro de Linda passar ali nos três dias. Eles conversaram muito e, como resultado, Linda passou a frequentar a pequena igreja.

Encontrou a paz e a serenidade que buscava. Exatamente como dizia o cartaz. Ela precisava de Deus na sua vida. E, sem dúvida, fora Deus que providenciara para que, de alguma forma, ela entendesse que precisava voltar-se para ele, alimentar o seu Espírito com a fé, a esperança e o amor.

* * *

A Providência Divina sempre se faz presente em nossas vidas. Ocorre que, por vezes, não estamos com olhos e ouvidos atentos para perceber e entender.

Filhos bem-amados do Criador, não podemos esquecer de buscar o amparo desse Pai amoroso e bom, para que nEle encontremos o nosso refúgio seguro.

Muitos O procuram nas igrejas, nos templos. Outros, nos livros. Alguns tentam o coração do próximo para ver se ali descobrem Deus.

Em verdade, muitos são os caminhos, mas o encontro verdadeiro se dá portas adentro do nosso coração.

Redação do Momento Espírita, com base na história Linda Valentine, do livro Pequenos milagres, de Yitta Halberstam e Judith Leventhal, ed. Sextante. Em 18.11.2011

Momento Espírita

De onde vêm as canções?

                                      



De onde vêm as canções? Da imaginação criadora do artista? Da inspiração superior?

De onde vêm esses hinos que se tornam universais?

É interessante ouvir histórias a respeito de algumas composições e nos darmos conta de como os Espíritos atuam sobre nós.

Bem tinham razão ao responderem ao Codificador da Doutrina Espírita que, habitualmente, são eles que nos dirigem.

A canção título do álbum de mesmo nome, Bridge over troubled water, ou seja, Ponte sobre águas revoltas, escrita por Paul Simon, se tornou um dos maiores sucessos da dupla Simon e Garfunkel, no ano 1970.

Num documentário apresentado como Making of do álbum, o compositor assim se expressou:

Eu não tenho ideia de como surgiu a canção. Veio de repente. Foi um dos momentos mais chocantes da minha carreira de letrista.

Lembro-me de pensar: isso é consideravelmente melhor do que eu costumo escrever.

Ele confessa que escreveu a canção com o intuito de proporcionar conforto a uma pessoa em dificuldade.

Mas ele mesmo achou que as letras iniciais eram muito simples: Quando você estiver exausto, sentindo-se insignificante; quando as lágrimas estiverem em seus olhos, Eu enxugarei todas elas.

Mais tarde, ele percebeu que era essa simplicidade que ajudou a dar à música um apelo universal.

Para todos os que temos sensibilidade, bem podemos entender que ele fala a respeito do Pai de amor e bondade.

A ponte que se estende sobre as águas turbulentas das nossas dificuldades, dos nossos problemas, a Providência Divina que nos alcança.

Assim como dizem os versos:

Quando você estiver exausto, sentindo-se insignificante; quando as lágrimas estiverem em seus olhos, Eu enxugarei todas elas.

Eu estou ao seu lado, quando os tempos ficarem difíceis e os amigos não mais puderem ser encontrados. Como uma ponte sobre águas revoltas, Eu me estenderei.

Quando você estiver na pior, quando você estiver na rua, quando a noite descer pesadamente, Eu o confortarei.

Eu o ajudarei quando a escuridão vier e a dor estiver por perto. Como uma ponte sobre águas revoltas, Eu aliviarei as suas preocupações.

Navegue no Garota de Prata. Continue navegando. Sua hora chegou para brilhar.

Todos os seus sonhos estão a caminho.

Veja como eles brilham. E se você precisar de um amigo, Eu estarei logo atrás.

Como uma ponte sobre águas revoltas, Eu aliviarei as suas preocupações.

* * *

A canção se reporta à Providência Divina, ao cuidado de Deus para com cada um de nós.

Ninguém que se encontre ao abandono. Ninguém que esteja esquecido. O amor de Deus vela sobre todos.

E nos recorda que nascemos para brilhar, para concretizar nossos melhores sonhos, para alçarmos voos de liberdade, para conquistarmos o infinito.

Sem peias, sem limites.

Pensemos nisso e em como Deus é infinitamente sábio e estabelece que o bem, as coisas positivas, as verdades sejam ditas por muitas bocas e de muitas formas.

Pelas crianças na sua inocência, pelos pintores com sua arte, pelos sábios com suas descobertas, pelos cantores com sua música.

Pensemos a respeito.



Redação do Momento Espírita.
Em 27.09.2012.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

DIFERENÇAS ENTRE IGREJA CATÓLICA, EVANGÉLICA E ESPIRITISMO





Neste vídeo Chico Xavier fala sobre a Igreja Católica. Chico por muito tempo frequentou missas da igreja católica sendo um católico praticante. Chico diz que por muitas vezes viu fenômenos espíritas durante as missas, principalmente durante a comunhão onde era possível ver espíritos elevados transformando as ostias em objetos de luz que o padre oferecia a cada pessoa que participava da comunhão. Chico também fala de sua visita na cidade de Lourdes e sobre o que pode ver lá.

Chico fala que para o mundo espiritual a igreja católica, evangélicos e espiritas fazem parte da mesma família só que com níveis de interpretação diferentes. Mas todas possuem muito mais pontos semelhantes do que diferenças. Ele fala ainda do momento em que deixou a igreja católica passando para o espiritismo.

CHICO XAVIER FALA SOBRE O HOMOSSEXUALISMO



Neste vídeo Chico Xaver fala da relação entre o homossexualismo e o espiritismo. Todos os espiritos terão a experiência de nascer como homem e como mulher em suas inúmeras encarnações. Alguns terão dificuldades nesta transição ou até mesmo na aceitação ou adaptação de mudança de sexo em uma nova encarnação.

Mas como o próprio Chico Xavier destaca o importante não é preferência sexual das pessoas quando estão encarnadas. O importante é o caráter de cada um. Ele se refere a leis e mudanças de leis para o futuro. É importante então destacar que este vídeo foi gravado na década de 70.

Espiritismo volta às telas com obra de Chico Xavier

Produção é baseada no livro homônimo, psicografado pelo do médium Chico Xavier, ditada pelo espírito André Luiz, mesmo ator de "Nosso Lar"
                                        
Por: Carla Machado

São Paulo
Divulgação

Novo longa dá sequência às estreias de produções cinematográficas espíritas que têm ganhado as telonas nos últimos anos
Sabe aquela impressão de que você conhece uma determinada pessoa de algum lugar? Ou a sensação de não gostar de alguém que acaba de conhecer, mesmo sem nunca ter registrado qualquer atrito em comum? Pois essas são algumas das questões que trata o filme “E a Vida Continua...”.
A produção é baseada no livro homônimo, psicografado pelo do médium Chico Xavier, ditada pelo espírito André Luiz, mesmo ator de “Nosso Lar”— filme responsável por um recorde de bilheteria que totalizou 562 mil espectadores no primeiro fim de semana de exibição, em setembro de 2010.
O novo longa dá sequência às estreias de produções cinematográficas espíritas que têm ganhado as telonas nos últimos anos, como “Bezerra de Menezes” (2008), “Chico Xavier” (2010), e “As Mães de Chico” (2011).
Didático, assim como nos outros longas espíritas, “E a Vida Continua...” — roteiro e direção de Paulo Figueiredo e produção de Oceano Vieira de Melo — tem o objetivo de pregar o amor, o perdão e a tolerância. Para isso, usa como plano de fundo a história dos caminhos cruzados entre a jovem Evelina (Amanda Costa) e o experiente Ernesto (Luiz Baccelli), que por “coincidência” descobrem que têm muito em comum antes e após o desencarne, quando terão a missão de resgatar juntos espíritos de pessoas ligadas a eles no plano físico, que se encontram infelizes no plano espiritual.
O elenco conta com Lima Duarte (Instrutor Ribas), Ana Rosa (Lucinda), Ana Lúcia Torre (Brígida), Cézar Pezzuoli (Amâncio), Arllete Montenegro (Sra. Tamburini), Cláudia Mello (Alzira), Rui Rezende (Desidério) e Luiz Carlos de Moraes (Instrutor Cláudio).

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Espiritualidade


A espiritualidade é uma dimensão da pessoa humana que traduz, segundo diversas religiões e confissões religiosas, o modo de viver característico de um crente que busca alcançar a plenitude da sua relação com o transcendental. Cada uma das referidas religiões comporta uma dimensão específica a esta descrição geral, mas, em todos os casos, se pode dizer que a espiritualidade "traduz uma dimensão do homem, enquanto é visto como ser naturalmente religioso, que constitui, de modo temático ou implícito, a sua mais profunda essência e aspiração"

Espiritualismo


O Espiritualismo é uma doutrina filosófica que admite a existência de Deus, de forças universais e da Alma, com a visão de que existem milhares de coisas abstratas. É o contrário de materialismo, que só admite a existência da matéria.

Afirma a existência de uma alma imortal no homem, isto é, de um princípio substancial distinto da matéria e do corpo, razão absoluta de ser da vida e do pensamento. Em sentido mais lato, doutrina que, além da tese referida, reconhece a existência de Deus, a imortalidade da alma e da existência de valores espirituais ou morais que são o fim específico da actividade racional do homem.


O materialismo admite que pensamento, emoção e sentimentos são reações físico-químicas do sistema nervoso. Portanto, todos os religiosos, se aceitam a Alma e Deus, são, por isso mesmo, espiritualistas, visto que essa doutrina admite outros tipos de visões[carece de fontes].

Tal vocábulo também é empregado como referência à postura de certos indivíduos que possuem espiritualidade sem religiosidade: são contrários ao materialismo e, ao mesmo tempo, não estão filiados a qualquer segmento religioso.

Todo Espírita é necessariamente espiritualista; mas pode o espiritualista não ser um espírita.


História


Segundo a visão espírita, os fenômenos mediúnicos são registrados em diversos lugares e épocas da História, desde a Antiguidade, sob diversas formas. Como exemplo dessa visão de realidade religiosa, refere-se:
a prática ancestral de culto aos antepassados, venerando-os ou rendendo-lhes homenagens por meio de diversos rituais;
na cultura judaico-cristã encontram-se registrados no Antigo Testamento, nomeadamente a proibição de Moisés à prática da "consulta aos mortos" (evidência da existência desta prática entre o povo judeu, uma vez que não se proíbe aquilo que não existe),[1] e a invocação do espírito de Samuel pelo primeiro rei de Israel, Saul, com o recurso a uma necromante[2], e, no Novo Testamento, a comunicação de Jesus com Moisés e Elias no Monte Tabor (Mt, 17:1-9).
na cultura da Grécia Antiga, a crença de que as almas dos mortos habitavam o submundo e que era possível entrar em contacto com eles, cuja referência mais conhecida encontra-se naOdisséia. Ali Homero narra que Odisseu (Ulisses), rei de Ítaca realizou um ritual conforme indicações da feiticeira Circe, logrando conversar com as almas de sua mãe, e dos seus companheiros que haviam perecido durante a Guerra de Tróia.
ainda na Grécia Antiga, registram-se os comentários de Platão sobre o "dáimon" ou gênio que acompanharia Sócrates. O mesmo Platão utiliza o termo anamnese ("Anamnesis") na teoriaepistemológica e psicológica que desenvolve em seus diálogos Mênon e Fédon (e em uma alusão em Fedro), referindo-se a conhecimentos obtidos pela alma em vidas anteriores.

Irmãs Fox (da esquerda para a direita: Margaret, Kate e Leah).




Na Idade Média, a persistência popular de crenças em superstições e amuletos para obter protecção.

na Idade Moderna, as narrativas sobre fantasmas e assombração de locais, ilustrada, por exemplo, pela peça de teatro Hamlet, em que o dramaturgo inglêsWilliam Shakespeare apresenta o fantasma do rei assassinado demandando vingança ao protagonista, seu filho.

Os xamãs dos povos "primitivos" da Ásia e Oceania, também afirmam ter o dom de comunicação com o além. Entre a população nativa americana, apenas oxamã (feiticeiro) tinha o poder de comunicar com os deuses e espíritos, fazendo a mediação entre eles e os mortais. A principal função do xamã era a de assegurar a ajuda do mundo dos espíritos, incluindo o Espírito Supremo, para benefício da comunidade. Tal como os xamãs, os curandeiros na América Latina, são capazes de aceder ao mundo dos espíritos. A actuação a este nível, envolve não só o uso de orações, mas também a consulta de guias espirituais ou espíritos superiores.

Actualmente é comum adotar-se a data de 31 de março de 1848, início do fenómeno das Irmãs Fox (ainda que anos mais tarde tenham confessado a fraude e, posteriormente, desmentido a confissão), como marco inicial das modernas manifestações mediúnicas, quando se inicia uma fase de manifestações mais ostensivas[3] e freqüentes do que jamais ocorrera, particularmente nos Estados Unidos e na Europa,[4] o que levou muitos pesquisadores a se debruçarem sobre tais fenômenos.

Entre esses pesquisadores destacou-se o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde, sob o pseudônimo de Allan Kardec, com base em uma série de relatos psicografados, publicou O Livro dos Espíritos.

Os povos Celtas acreditavam que os espíritos regressavam ao mundo dos vivos em certas ocasiões ("Samhain"), crença essa que se encontra na origem das populares festas de "halloween".
na Idade Média, a persistência popular de crenças em superstições e amuletos para obter protecção.
na Idade Moderna, as narrativas sobre fantasmas e assombração de locais, ilustrada, por exemplo, pela peça de teatro Hamlet, em que o dramaturgo inglêsWilliam Shakespeare apresenta o fantasma do rei assassinado demandando vingança ao protagonista, seu filho.

Os xamãs dos povos "primitivos" da Ásia e Oceania, também afirmam ter o dom de comunicação com o além. Entre a população nativa americana, apenas oxamã (feiticeiro) tinha o poder de comunicar com os deuses e espíritos, fazendo a mediação entre eles e os mortais. A principal função do xamã era a de assegurar a ajuda do mundo dos espíritos, incluindo o Espírito Supremo, para benefício da comunidade. Tal como os xamãs, os curandeiros na América Latina, são capazes de aceder ao mundo dos espíritos. A actuação a este nível, envolve não só o uso de orações, mas também a consulta de guias espirituais ou espíritos superiores.

Actualmente é comum adotar-se a data de 31 de março de 1848, início do fenómeno das Irmãs Fox (ainda que anos mais tarde tenham confessado a fraude e, posteriormente, desmentido a confissão), como marco inicial das modernas manifestações mediúnicas, quando se inicia uma fase de manifestações mais ostensivas[3] e freqüentes do que jamais ocorrera, particularmente nos Estados Unidos e na Europa,[4] o que levou muitos pesquisadores a se debruçarem sobre tais fenômenos.

Entre esses pesquisadores destacou-se o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde, sob o pseudônimo de Allan Kardec, com base em uma série de relatos psicografados, publicou O Livro dos Espíritos.